Roberto Freire: “Luiz Maranhão nos serve de inspiração para vencer as ameaças autoritárias do presente e unir as forças democráticas para construção de um Brasil de democracia ampla”. Foto: Cristiano Mariz/VEJA

Luiz Maranhão, símbolo da política democrática

Luiz Ignácio Maranhão Filho é um dos dirigentes do antigo PCB a figurar na lista dos desaparecidos pelo regime de 1964. Neste dia 25 de janeiro, celebramos o centenário do seu nascimento. Advogado, jornalista, professor e deputado estadual de 1958 a 1962 no Rio Grande do Norte, Luiz Maranhão é um símbolo da política democrática.

Ao lado de Giocondo Dias e de Marco Antônio Tavares Coelho, Luiz Maranhão participou da Comissão do Comitê Central do PCB para contatos políticos. Nessa condição, em 1965, foi um dos articuladores da Frente Ampla para restabelecer o Estado de Direito no Brasil, juntamente com Carlos Lacerda e partidários dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. Proibida pelo regime, a Frente Ampla serviu de base para a fundação do Movimento Democrático Brasileiro em 1966.

As vitórias sucessivas dessa frente democrática, especialmente nas eleições de 1974, levaram o regime a tentar eliminar a cúpula do PCB. Nesse ano, Luiz Maranhão foi preso e recolhido ao DOPS de São Paulo, onde foi torturado até a morte. Até hoje sua família, seus amigos e seus correligionários, entre eles os que fazem o Cidadania, reivindicam o seu corpo para dar-lhe sepultura digna.

Neste centenário de seu nascimento, Luiz Maranhão nos serve de inspiração para vencer as ameaças autoritárias do presente e unir as forças democráticas para construção de um Brasil de democracia ampla e de prosperidade para todos.

Roberto Freire
Presidente do Cidadania

Caetano Araújo
Diretor-Geral da Fundação Astrojildo Pereira