Mauricio Huertas: É chegada a hora de uma nova geração?

Créditos:Heloísa Ballarini/SECOM-PMSP

Ou seja, tanto na política quanto no futebol, o protagonismo está mudando de mãos. A velha guarda passa o bastão, ainda que por vezes a contragosto.

A sociedade emite sinais que às vezes são percebidos apenas com distanciamento histórico, mas o que está acontecendo hoje na política e no futebol certamente já simboliza uma transformação em curso. Olhos abertos e ouvidos atentos, portanto, para não sermos atropelados pelos acontecimentos…

Quando FHC dá uma entrevista em que afirma que o prefeito João Doria e o apresentador Luciano Huck representam o “novo” na política, porque “não estão sendo propelidos pelas forças de sempre”, e quando vemos jovens treinadores de futebol campeões – todos novatos no cargo em grandes clubes brasileiros – nessa época de desdobramentos ainda imprevisíveis da Lava Jato e das mudanças que ela já vem causando, precisamos fazer a leitura correta desse novo quadro.

Os técnicos campeões paulista, carioca, paranaense e mineiro – para ficar apenas nos times mais emblemáticos – estão na casa dos 40 anos. O corinthiano Fabio Carille tem 43 anos; o flamenguista Zé Ricardo, 46; o curitibano Pachequinho, 46; e o atleticano Roger Machado, 42. Paralelamente, na política, João Doria com 59 anos talvez seja a exceção entre os quarentões, apesar de aparentar menos idade e de ser também um neófito nas disputas eleitorais. Luciano Huck tem 45 anos. O juiz Sergio Moro, 44. O procurador Deltan Dallagnol, 37.

O novo presidente francês, Emmanuel Macron, tem 39 anos. Não que a juventude, por si só, seja sinônimo de progresso, evolução, inovação ou modernidade. Está aí Kim Jong-un, na Coreia do Norte, com 33 anos, para provar o contrário. Mas é certo que modelos antigos (em idade, em conceitos e nas práticas políticas), como Donald Trump, aos 70 anos, ou Michel Temer, aos 76, Lula, 71, e Dilma, 69, estão de fato saindo de linha.

Ou seja, tanto na política quanto no futebol, o protagonismo está mudando de mãos. A velha guarda passa o bastão, ainda que por vezes a contragosto. Uma nova safra desponta no cenário. Não é por acaso. O mundo vem mudando. A sociedade busca novos caminhos. É chegada a hora de uma nova geração.

Novas organizações políticas no mundo todo vem crescendo e se destacando, desde a onda de manifestações globais – da Primavera Árabe e do Occupy Wall Street às passeatas que no Brasil fizeram surgir o Movimento Brasil Livre, o Vem Pra Rua e, do lado oposto, o MTST, por exemplo, todos liderados por jovens na casa dos 20, 30 e 40 anos.

São os novos atores tomando o palco central. E nós, vamos nos contentar apenas em assistir, vamos desempenhar um papel meramente coadjuvante ou, enfim, compartilharemos o protagonismo destes novos tempos?

*Mauricio Huertas é jornalista, secretário de Comunicação do PPS-SP, diretor executivo da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) e apresentador do #ProgramaDiferente


Fonte: http://www.pps.org.br/2017/05/09/mauricio-huertas-e-chegada-a-hora-de-uma-nova-geracao/

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1 Comentário

  1. Fernando Gaebler

    O que vemos é uma decadência moral por parte do PSDB, que assim como o PT, enfrenta denúncias e uma tentativa do antigo campo burguês alinhado com Fernando Henrique Cardoso, que saiu perdendo com os 4 mandatos quasi integrais do campo democrático e popular, deseja por novos avanços. Mas veremos, como se dará as articulações e montagens do programa político-partidário.

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