Ecofeminismo
O papel da mulher não é e não pode ser idêntico ao do homem pois são seres diferentes e não há supremacia de um sobre o outro.
O papel da mulher não é e não pode ser idêntico ao do homem pois são seres diferentes e não há supremacia de um sobre o outro.
Autor : Fernando Luís Schüler*
A última edição do Pisa, avaliação realizada em 65 países com alunos de 15 anos, pela OCDE, apresenta um dado perturbador. Os nossos alunos das escolas privadas tiveram nota média de 502, semelhante à nota dos estudantes dos EUA. Os nossos alunos das redes estaduais e municipais de ensino alcançaram uma média de 387, semelhante à da Albânia.
Os dados do Enem mostram o mesmo quadro. Das mil escolas mais bem posicionadas (contando apenas as escolas que tiveram mais de 75% de participação dos estudantes), 92% eram particulares.
O fato é que estamos alimentando, no Brasil, uma espécie de apartheid educacional entre os jovens de classe média e alta, cujas famílias há muito "privatizaram" a educação de seus filhos, e os estudantes de famílias mais pobres, que são levados a estudar nas redes estaduais e municipais de ensino, com seus problemas crônicos de gestão. É uma situação paradoxal: o sistema público de educação, que deveria assegurar uma base de oportunidades igual para todos, é ele mesmo uma máquina geradora de profundas desigualdades sociais.
Alguns dirão que não é possível debitar os resultados pífios da educação pública às deficiências estruturais do sistema. Pesaria a condição das famílias para apoiar os filhos em suas atividades fora das salas de aula. É um argumento que pode tranquilizar o nosso sono, mas é inaceitável. Caberia ao Estado exatamente criar as condições para compensar essas assimetrias sociais. Recursos não faltam para isso.
Nosso sistema estatal é caro e ineficiente. Escolas estatais são repartições públicas. Não têm autonomia para tomar decisões com a racionalidade e a rapidez que a educação requer no dia a dia - como atualizar laboratórios, bibliotecas e fazer obras de infraestrutura. Elas sofrem com a burocracia, com o corporativismo e com a visão antimeritocrática comum no serviço público brasileiro. É fácil constatar esse quadro e dizer que tudo poderia ser diferente. Mas não é o que a experiência demonstra.
Penso que chegou a hora de apostar em uma mudança de paradigma no Brasil. Uma mudança estrutural de longo prazo: repensar a relação entre o Estado e a sociedade brasileira no que se refere à educação.
Em vez de continuarmos tentando o que se tentou no século 20 - ou seja, nivelar o acesso à educação pela oferta do ensino estatal-, podemos buscar soluções efetivamente possíveis no século 21: assegurar o acesso de todos ao ensino não estatal - composto por escolas com ou sem fins lucrativos, desde que elas tenham qualidade, uma gestão ética e uma relação positiva entre custo e benefício.
O Brasil tem apresentado inovações importantes nessa direção. Basta observar o ProUni e o Fies. O Estado financia (via abatimento fiscal para as instituições ou via juros subsidiados para os estudantes) a matrícula dos alunos nas instituições particulares. É, grosso modo, o que, há décadas, propunha-se no País sob o conceito de "voucher" para a educação. Em vez de criar e administrar repartições públicas de ensino, o Estado utiliza a capacidade disponível das redes privadas, deixa que as famílias escolham onde querem estudar e concentra a sua ação na criação de indicadores e na exigência de qualidade.
Fica a pergunta: por que esse não se torna o padrão de atuação dos governos na educação também no ensino médio e fundamental? Por que continuar abrindo repartições públicas educacionais e continuar (como os indicadores mostram) aumentando o fosso social brasileiro? Não seria melhor apostar em modelos transparentes de parceria entre Estado e sociedade, com o financiamento direto aos estudantes, deixando que eles escolham onde estudar?
Alguém já comparou a relação entre custo e benefício dessas duas alternativas? O Brasil fez muitas revoluções nas duas últimas décadas. Precisamos agora de mais uma. Uma revolução para que exista igualdade de oportunidades, que vai começar quando tivermos alguma coragem para revisar velhos conceitos.
*É doutor em filosofia e mestre em ciências políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretor acadêmico do Ibmec-RJ.
Defendemos ainda, o aumento do investimento em Educação ( 10% do PIB), e uma política de valorização do professor, acompanhada de profundas mudanças no processo de gestão e nas relações entre escola, Universidade e sociedade construindo um processo de responsabilização que vá do aluno ao estado. Na resolução Nacional do PPS, os prefeitos eleitos pelo partido são conclamados a investir 30% da receita em Educação, lutar pela universalização da Educação infantil e erradicação do analfabetismo, por entender que este é o eixo de grande importância em qualquer política que se crê proporcionar um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Isto para nós, é um pouco do que significa colocar a educação no campo do especificamente humano.
A notícia foi repercutida pelo Blog do Vicente que coloca uma indagação sobre a necessidade de não só investigar essa, mas todas as morte rotineiras por falta de assistência tanto no sistema de saúde público como no privado.
Já tem tempo que a exigência de caução está proibida e qualquer hospital do país, público ou privado, está obrigado a atender pacientes em risco de morte.
Eu chamo isso de "homicídio" de deveria ser suficiente para mandar para a cadeia toda a diretoria dos dois hospitais e que deram a ordem, e todos os funcionários que aceitaram cumpri-la, incluindo os médicos que permitiram que o paciente foi removido para outro hospital. São todos cúmplices no mesmo crime e Da mesma quadrilha. A vítima são todos os brasileiros honestos e trabalhadores SUJEITOS A MORRER POR FALTA DE ESCRÚPULOS de pessoas que deveriam ser proibidas de exercer qualquer papel na saúde.
CADEIA PARA ELES!!!!!!
POLÍCIA CIVIL DO DF ABRE INQUÉRITO PARA INVESTIGAR MORTE DE SECRETÁRIO DO GOVERNO DILMA
Por GABRIEL CAPRIOLI, do Correio Braziliense
O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre Moraes, afirmou que, diante das denúncias de servidores da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e dos relatos levados a ele pelo Correio Braziliense, abrirá inquérito para apurar as condições e o atendimento recebido por Duvanier Paiva nos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia. Se comprovado que houve negligência ao secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, os responsáveis poderão ser punidos. A exigência de cheque, cartão de crédito ou outros valores a título de caução para pacientes que alegam possuir plano de saúde é expressamente ilegal.
Órgãos de defesa do consumidor ouvidos pelo Correio, consideram que os hospitais erraram ao negar o atendimento a Duvanier, vítima de infarto. O artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor determina, em seu inciso 5º, que o prestador de serviço não pode exigir "vantagem manifestamente excessiva" do consumidor — caso no qual se encaixa o caução, uma vez que o próprio plano de saúde é a garantia do hospital.
Desde 2003, a Resolução Normativa nº 44 da Agência Nacional de Saúde Suplementar também proíbe a cobrança de qualquer tipo de garantia adicional antecipada ou durante a prestação de serviço. "Não é só ilegal. É muito ilegal. Além dessas regulamentações específicas, o Código Civil protege o cidadão das cobranças abusivas no que é classificado como Estado de Perigo, que são essas situações extremas na qual o sujeito está defendendo a própria vida, como quando ele chega a um hospital buscando atendimento de emergência", enfatizou Joana Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
O diretor geral do Procon-DF, Oswaldo Morais, afirmou que a recusa de atendimento é injustificável, uma vez que a identificação do paciente junto ao plano de saúde é simples de ser feita. "Os hospitais conveniados mantêm contato permanente com as operadoras. Com o número do CPF, é perfeitamente possível saber se a pessoa tem ou não o plano", afirmou. E mesmo no caso de o hospital não aceitar o plano do paciente, o atendimento, diante do risco de morte, deve ser feito do mesmo jeito, com ressarcimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Morais ressaltou que o Procon pode intervir imediatamente na questão, caso seja acionado. "Nas situações em que somos avisados, podemos entrar em contato com o hospital ou com a operadora e tentar solucionar a questão rapidamente", completou. Quando há prejuízo à saúde ou nos casos de morte pela negativa do atendimento, a família deve procurar a Justiça — nos Juizados Especiais Cíveis, em ações menores do que 40 salários mínimos ou na Justiça comum, para ações acima desse valor.
Joana Cruz, do Idec, assinalou que não há números precisos para esse tipo de ocorrência, mas que as reclamações de exigência de cheque-caução na rede privada de hospitais é corriqueira. "Foi exatamente por essa frequência que a ANS baixou essa determinação", concluiu.
Os usuários da rede privada que também tiverem o atendimento negado pelo mesmo motivo devem denunciar o plano de saúde à ANS. Joana explicou que mesmo que a prática seja feita pelo hospital, sem o conhecimento da operadora, esta é responsável por sua rede credenciada. De qualquer forma, o primeiro procedimento tomado pela agência é a notificação da empresa e o pedido de explicações em relação ao ocorrido.
Brasília, 13h12min
Por Merval Pereira

Conforme relatado pelo Climate Progress o ex-presidente, ativista ambiental e Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, via uma entidade educativa e de defesa na questão da mudança climática, Climate Reality Project, juntou forças com o PSFK para desafiar empresas de designe virtual na produção de games dedicados à questão ambiental.
Segundo Al Gore os vídeos games e as redes sociais jogarão um importante papel no futuro da luta sobre as mudanças climáticas. "As políticas precisam acelerar a transição para uma economia limpa, mas são bloqueadas pela influência das indústrias de petróleo, gás e carvão sobre nosso governo", diz ele.
Foram apresentadas 60 contribuições. Uma delas, como exemplo, foi baseada no Tamagoshi, um jogo que fez muito sucesso anos atrás e basicamente tratava da "criação" de um animal virtual, que precisava ser cuidado para permanecer vivo. Na mesma linha foi desenvolvido o Realitree, uma árvore virtual que precisa ser mantida e cuidada pelo jogadores. Diferentemente do animal japonês a árvore não é um jogo individual e pode ser "cuidada" por milhares de pessoas. O jogo relaciona o crescimento e vida da árvore com a saúde ambiental por meio da inserção de dados ambientais em tempo real, provendo informações que acabam colaborando com a conscientização ambiental e podem, ainda, desfazer inúmeros mal-entendidos sobre a questão das mudanças climáticas. A ideia é instalar imensos painéis em locais de grande circulação transmitindo o jogo em tempo real.
Ai está um belo exemplo da criatividade na luta envolvendo as mudanças climáticas aliada à compreensão do papel exercido atualmente pelas redes sociais.
Demetrio Carneiro
Noves fora, feitas as contas da execução do orçamento fiscal de 2011 fica evidente a contradição entre a discurseira oficial e o mundo real: Comparativamente à execução de 2010 as despesas com pessoal cresceram 7,2% e as despesas denominadas outras despesas correntes cresceram 14,5%! Ou seja, apesar das juras apaixonadas de corte fiscal as despesas cresceram além da inflação. Enfim, houve crescimento real da despesa de custeio.
Já do lado das despesas de investimento, apesar das juras apaixonadas de que o investimento seria a razão de ser do governo, eles caíram 6,2%. A medida comparativa entre 2010 e 2011 da queda do investimento precisa ser posta contra a medida do aumento da arrecadação de um ano para o outro, que foi de 17,5%!!!!. Este aumento foi em parte usado para a mágica do cumprimento da meta de superávit primário, justificando um poupança de papel, apenas contábil e em parte para aumentar ainda mais os gastos de custeio. Esses são os fatos. O resto é cascata, conversa fiada, papo de botequim, como queiram.
Não dá para imaginar a teoria econômica que sustenta as ações concretas, e não as falsas promessas, desse governo. Deve ser uma teoria muito inovadora e radical para dispor esse tipo de políticas real de crescimento onde só se gaste em custeio, sem investimentos. Da forma como as coisas vão é capaz de sair para nós o próximo Nobel de Economia. Quem sabe a nossa Economia Política do Papo Furado e da Incompetência não nos dá um prêmio?
Demetrio Carneiro
A tese do aquecimento global gerado pela ação entrópica, ação do ser humano, ainda vai sendo posta em teste e não é um terreno de certezas. O que, claro, não contribui para o estabelecimento de políticas públicas mais consistentes.
Alguns pesquisadores, por exemplo, defendem um lado positivo para a intervenção negativa da humanidade na questão climática com referência ao próximo período de glaciação.
Glaciações, o resfriamento do planeta, se dão em ciclos determinados, de cerca de 10 mil anos. É alguma coisa semelhante aos resultados do filme O dia seguinte. A próxima se daria em cerca de 1.500 anos e o aquecimento acelerado pela intervenção humana aumentaria a possibilidade de termos com resultado final temperaturas mais amenas, facilitando a sobrevivência da nossa espécie. Na última glaciação havia uma população bem menor e muito mais rarefeita o que deve ter contribuído para a sobrevivência. Dá cogitar, por exemplo, a demanda energética por aquecimento de 9 bilhões de pessoas? Na realidade não sabemos muito das glaciações. Mas fica mais um ponto de dúvida.
Dentro da linha de argumento há uma tese mais antiga, de outros grupos: O próprio fenômeno do aquecimento poderia ter causas naturais, além das causas humanas, como parte do ciclo de resfriamento. Quer dizer, às vésperas dos períodos de glaciação a temperatura naturalmente aumentaria, para depois ir baixando até a glaciação.
Num e noutro aspecto são questões que envolvem um período de tempo extremamente longo. Longo o suficiente para estar fora das contas estratégicas da maioria absoluta das pessoas. Dificilmente alguém pensa no que poderá ocorrer com seus descendentes daqui a 15 séculos. Essa questão de equidade intergeracional em prazos muito longos certamente não facilita as coisas.
Na outra ponta novas pesquisas mostram o papel relevante da vegetação na criação de oxidantes capazes de reciclar gases do efeito estufa gerados pelo uso de combustíveis, neutralizando-os.
Demetrio Carneiro
Frente a forte concorrência chinesa na questão dos painéis solares o governo alemão já havia se comprometido a jogar pesado. Agora um consórcio de 50 empresas alemãs começa um investimento no norte da África que deve ser na ordem de alguns bilhões de dólares. A ideia é usar a forte insolação da região equatorial africana, com alta eficiência, para construir uma rede de painéis solares conectada à Europa Ocidental. A previsão é que se chegue a abastecer até um quinto da demanda continental européia de energia.
Há uma nova economia com base em tecnologias sustentáveis que vai ser firmando como um resultado positivo da disputa econômica entre alemães e chineses. Enquanto isto, dispondo de amplas áreas com forte insolação, nossa melhor estratégia é usar tecnologia importada.
Demetrio Carneiro
A se acreditar na mídia Mantega teria antecipado suas férias para discutir com Dilma novas medidas fiscais para baixar ainda mais a taxa Selic. Evidentemente antes da reunião do Copom.
Baixar a taxa Selic nesse momento é politicamente oportuno e uma política bom-bril, com mil e uma utilidades. Primeiro desvia o foco do desgastante debate sobre a demissão ou não de Bezerra. Afinal o ministro é da cota do PSB, aliado que não parece estar no conceito das gordurinhas que podem ser cortadas na base de apoio. Desvia o foco da prometida reforma ministerial. Implementa uma forte medida de estímulo frente a um cenário muito diferente do cantado em prosa e verso pelo governo: Números de PIB bem mais baixos em 2011 e 2012, retração do fluxo de investimentos estrangeiros.
Num artigo no Financial Times, repercutido pelo Valor, o articulista Martin Wolf coloca os emergentes como uma espécie de esperança da economia mundial, frente a nítida dificuldade de retomada das economias do Centro. É um ponto de vista não apenas dele, mas também do governo brasileiro. O problema aqui é que a economia globalizada depende do fluxo de comércio entre a Semi-Periferia e o Centro do Sistema. Há diferentes lógicas em cada um dos grupos. As economias do Centro dependem fortemente de seus mercados internos, importam meio ambiente da semi-periferia e bens de baixa e média tecnologia e exportam não apenas bens de alta tecnologia, mas fundamentalmente conhecimento no formato de propriedade intelectual. As economias da Semi-Periferia, as chamadas eufemisticamente de emergentes (emergindo de onde para onde?), têm seus mercados internos em fase de formação, sem que sejam sólidos o suficiente para sustentá-las sem os fluxos de exportação de meio ambiente ou/e bens para o Centro. Estão bem longe de ter estruturas amplamente competitivas de produção de conhecimento, embora a China especificamente esteja se tornando competitiva em áreas bem pontuais. No sentido inverso ainda são dependentes do fluxo de conhecimento em forma de propriedade intelectual. Vistas as coisas assim, talvez não seja tão simples quanto parece.
Nesse contexto a redução da taxa Selic mira diretamente o mercado interno. De fato a única aposta viável. Há apenas alguns pequenos problemas: Instituições consolidadas e confiabilidade. É inegável que a manipulação da taxa Selic tem sua importância como mecanismo de estímulo econômico. Mas não há com certeza uma relação mecânica entre a redução da taxa e o ritmo da economia. Entre uma coisa e outra há todo um sistema de filtros que podem de alguma forma comprometer a qualidade dos sinais emitidos pela política econômica governamental. Devemos somar a esses filtros o feito das avaliações dos agentes econômicos que podem não ter poder de voto no sentido político, mas votam no sentido de apostar ou não na atividade econômica.
Vamos viver uma período bem interessante desse ponto de vista. Durante anos, décadas, se insistiu que todos os problemas do nosso crescimento econômicos estavam na taxa Selic e na Política Neoliberal e pró rentistas das direções anteriores do BC. Agora que a taxa caminha na direção do solo e que o BC brasileiro foi enquadrado pelo projeto nacionaldesenvolvimentista vamos viver o teste das verdades dessa fé.
Demetrio Carneiro
Dentro da teoria econômica os tributos pigouvianos são destinados a internalizar as externalidades negativas. Quer dizer quando um agente econômico gera, por sua atividade produtiva e de forma involuntária, efeitos negativos sobre outros agentes ou consumidores, a forma de corrigir a situação é criar algum tipo de tributação que onere o preço forçando a redução da oferta. A redução da oferta por si só já reduziria o efeito negativo e, adicionalmente, o tributo geraria renda pública que poderia ser utilizada para minorar os impactos da externalidade. Por exemplo, indústrias de refrigerantes com base em açúcar geram empregos etc., mas também geram problemas de saúde aos seus consumidores. Como não está em jogo proibir a atividade econômica, então, a solução pigouviana é tributar o bem para reduzir o consumo e gerar novas rendas para o Estado.
No Wonkblog(1) de ontem, 8, há um texto sobre o uso da tributação para efeitos de melhorar os problemas de saúde pública.
A depreender do texto os americanos bebem anualmente cerca de 1 bilhão de latinhas de refrigerantes com base em açúcar, o equivalente a um consumo per capita diário de cerca de 4 latinhas. Acho que dá para chamar de epidemia.
Ainda dentro do texto um estudo da Universidade de Columbia sugere que um tributo de U$ 0,12 por latinha levaria a uma queda entre 10% e 25% no consumo. Tendo em vista a população entre 25 e 64 anos de idade uma queda média de 15% no consumo de refrigerantes reduziria os casos de diabetes 2 em 2,6% e os casos de obesidade em 1,5%. Em dez anos seriam menos 96 mil casos de doenças coronarianas, menos 8 mil derrames e menos 26 mil mortes prematuras. Sem contar que seriam mais U$ 17 bi em tributos para apoiar as ações de saúde.
Segundo a articulista, Sarah Kliff, embora a tributação tenha todos esses efeitos positivos, e existam diversos projetos de lei em estados americanos, dificilmente eles seriam aprovados, tendo-se em vista que a tributação já existente - quando há tributação - é menor que a proposta de novo acréscimo de taxação. Enfim, seria preciso quase que dobrar a tributação atual dos refrigerantes.
Evidentemente as resistências vão existir nos EUA por conta de uma indústria que gera empregos etc. No caso brasileiro, como a tributação já varia entre 36% e 46% do valor final, dá para imaginar que um aumento de tributos, tipo uma CPMF específica e destinada aos setores de saúde pública, campanhas etc. iria certamente carrear recursos, mas teria que passar pelo poderoso quase-monopólio dos produtores de bebidas. Com uma tributação já tão elevada talvez não haja reflexos no consumo.
De qualquer forma as evidências são de que o aumento do consumo de refrigerantes caminhas junto com o aumento da capacidade de compra.
Há outras constatações localizadas, mas que dão uma boa noção sobre o comportamento geral:
Fatores associados ao consumo regular de
refrigerante não dietético em adultos de Pelotas, RS
RESULTADOS: Cerca de um quinto da população adulta de Pelotas (20,4%) ingeria regularmente refrigerante não dietético. Indivíduos do sexo masculino(RP 1,50; IC95%: 1,20;2,00), fumantes atuais (RP 1,60; IC95%: 1,20;2,10) e que consumiam semanalmente lanches (RP 2,10; IC95%: 1,60;2,70) apresentaram maior prevalência de consumo de refrigerantes não dietéticos na análise ajustada. A análise estratifi cada por sexo mostrou que o consumo regularde frutas, legumes e verduras foi fator protetor ao consumo de refrigerantesentre mulheres (RP 0,50; IC95%: 0,30;0,90)
CONCLUSÕES: A freqüência do consumo regular de refrigerantes não dietéticos na população adulta foi elevada, particularmente entre homens, jovens e fumantes.
RESUMO
Avaliou-se a associação entre o consumo de refrigerantes, sucos e leite, com o índice de massa corporal (IMC) em 1.423 estudantes, entre 9 e 16 anos, de escolas públicas de Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. O consumo de bebidas foi avaliado por meio do recordatório alimentar de 24 horas e questionário de freqüência de consumo alimentar. Peso e estatura foram coletados para o cálculo do IMC. As análises de regressão linear foram estratificadas por sexo e ajustadas por atividade física, idade e efeito do conglomerado (classes). Verificou-se associação positiva entre freqüência de consumo de refrigerante e idade (p = 0,05) e negativa entre consumo de leite e idade (p = 0,004). Apenas para as meninas, o IMC associou-se positivamente com o consumo de sucos (β= 0,02; p = 0,03). Para as outras bebidas não foram encontradas associações entre IMC e freqüência usual de consumo. O consumo de refrigerantes e sucos representou cerca de 20% do total de energia média consumida diariamente. Os resultados indicam que esforços para reduzir a ingestão de energia por meio de bebidas devem enfatizar também os sucos.
Demetrio Carneiro
(1) O Wonkblog é coordenado por Ezra Klein e é publicado no Washington Post. Klein também coordena o blog Zero Hedge(Dístico do blog: Numa longa linha de tempo a taxa de sobrevivência de qualquer um cai para zero).
Não creio que exista espaço da sociedade onde a palavra dada, os acordos tenham tão pouco valor como na política, talvez, exatamente por isso, no momento atual e no Brasil atual, exista tanta corrupção e tantos escândalos. Talvez por ser a política a origem da construção das normas legais, criou-se algo intuitivo, inconsciente de que os políticos estão acima da lei, e isso leva a um exagero na mudança de rumos propostos para a sociedade, ou mesmo a uma deturpação do que deve reger as relações sociais e políticas
Entre muitos outros fatos o que envolve o Ministério do Interior e as ações eminentemente patrimonialistas do, ainda, ministro Bezerra, deixam muito claros os laços entre a Rede Patrimonialista e o Regime Presidencialista no Brasil.
Não foi por acaso que o II° Plano Nacional de Desenvolvimento, equivocadamente admirado por Lula(1), fez uma marcha em direção ao interior do país. Por trás do projeto de levar o crescimento econômico ao nordeste havia o projeto político de revitalizar as Rede Patrimonialistas, postas de lado no processo do golpe de estado. A ditadura vinha perdendo espaço nos centros urbanos e foi aos caciques do interior revigorá-los e assim se revigorar. É dentro desse estilo de fazer política que ingressam no cenário nacional, com peso diferenciado pela oportunidade,os grupo oligárquicos de Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e outros menos famosos, mas não meno predatórios.
Aquele presidencialismo autoritário precisava do apoio das Redes Patrimonialistas para permanecer. Apoio que não duraria tanto, pois no balanço dos riscos o oportunismo político acabou mostrando a essas Elites a hora de desembarcar do projeto autoritário e embarcar na renovação democrática. No novo presidencialismo a Rede Patrimonialista assume novo papel e torna-se interlocutora privilegiado de todas as coalizões, chegando mesmo a ter, na transição, seu próprio presidente, com a morte de Neves, ele próprio no topo de uma ampla rede patrimonialista em Minas Gerais. É ela quem articula, numa coalizão de interesses em comum, o poderoso centrão, o baixo clero fisiológico que compõe a maioria esmagadora do Congresso Nacional.
O episódio de Collor serviu para mostrar aos presidentes seguintes a fundamentalidade de uma base fiel e subserviente. Mais uma vez a Rede Patrimonialista cumpriu se papel à risca e ofereceu a todos os presidentes os votos necessários para a manutenção de delicados equilíbrios de poder. Mas não mais que isso. Reformas em profundidade são assunto fora de pauta. A Rede não tem interesse algum em mudar o status quo. Na realidade o poderoso presidencialismo brasileiro, quase um regime imperial, vive da ilusão de um poder que não é dele, mas da Rede. Ela é o Poder de Fato por trás do Poder de Jure
O Poder Executivo tem atrações ímpares para a Rede, pois ele tem a chave do cofre. No caso, os ministérios não são exatamente o braço executivo da Presidência da República, mas sim, primeiro o lugar das negociações entre o Executivo e a Rede e, em segundo, o lugar onde a Rede busca recursos públicos para transformá-los em benefício privado. A corrupção é o momento mais extremo de um amplo processo que envolve empregos, favores cruzados, direcionamento de recursos, ausência de controles, que é a DRU informal etc.
Estruturalmente falando o Poder Executivo recolheu-se à Presidência da República e de lá, via um sofisticado esquema de controle e avaliação, monitora os ministérios. Controlar e avaliar têm fortes limites quando não é possível questionar métodos. Lula espertamente se abstinha. Dilma tenta mostra algum grau de seriedade, mas caminha entre escândalos a age pressionados por esses. Escândalos na sua maior parte gerados por fogo amigo.
Na prática Dilma é impotente para agir preventivamente. Faça a reforma que fizer os votos no Congresso continuarão sendo da Rede e tão maior será a sua fragilidade quanto maiores forem as ambições de aliados como o PSB ou o PMDB. É nessas fissuras que está a esperança do PSD, o novo player.
Uma indagação interessante seria quanto a uma rotação de poder. Vamos admitir que Dilma não se reeleja e que assuma um outro presidente. Mudaria a relação entre a Rede e o Executivo? O histórico da presidência de FHC mostra que não, pois o problema dos votos e da formação de uma ampla maioria irão permanecer, assim como acabará permanecendo a política de usar os ministérios como moeda de troca. Não faz muito diferença se o ministro propriamente é uma figura respeitável. O que importa é o que acontece mais abaixo, onde na maior parte das vezes, as coisas não acontecem pela via da corrupção, mas por outros mecanismos bem mais sutis e muito menos visíveis.
É mais que evidente que o jogo político com a Rede, ao transformar políticas públicas em benefício privado acaba afetando diretamente o desempenho do governo. O que está em causa não é apenas a Rede e a necessidade de seu apoio, mas o próprio presidencialismo enquanto regime. Não e trata de trocar nomes. Este é o problema.
De onde vem nosso processo de democratização só avançará com a mudança de qualidade do regime republicano. Está na hora de começarmos a discutir a mudança. O parlamentarismo precisa voltar ao debate, mesmo que não seja tão fácil devido à forte cultura do presidencialismo imperial entre nós.
(1) Lula analteceu o II° PND pela "coragem" de ir contra o mainstream, que recomendava na época e redução dos gastos públicos, pela interiorização em direção ao nordeste e, finalmente por ter implementado uma infraestrutura que fundamentou o crescimento posterior. Bem antes e contra o mainstream foi atitude de Juscelino, estrategicamente esquecido por Lula, com seu Plano de Metas. Celso Furtado, o estrategista por trás do Plano, diferentemente dos generais, não almejava entregar o questão do crescimento regional nas mãos das oligarquias locais. No fim do dia o II° PND foi a base concreta para a transferência das cadeias produtivas do Centro para o Brasil, dentro do modelo de alto consumo de carbono. Este é o problema em medir desenvolvimento apenas pelo produto do crescimento.
Demetrio Carneiro
Recentemente um artigo escrito pelo Ex- Presidente Fernando Henrique Cardoso dividiu opiniões no congresso, e por alguns dias foi manchete nos jornais. No referido texto, o ex-presidente julga-se em condições de repetir o papel exercido por ele nos 70, quando escreveu um artigo semelhante e com o mesmo título com o objetivo de unir as oposições na luta contra a ditadura. Naquele momento, escreveu que o principal papel das oposições era lutar por democracia, e, dez anos depois as oposições se uniram nos quatros cantos do pais em busca de novos tempos e de um novo projeto de país.
Parece que poucos entenderam o artigo do ex-presidente, e naquilo que foi compreendido serviu mais para dividir, ainda mais a já divida oposição do que para uni-la. O engraçado é que as razões da polêmica em relação ao artigo já estavam presentes no mesmo: o clientelismo, a corrupção e outros males que faz com os partidos percam importância no jogo político de governança da nação
Stephen Hawking fez ontem 70 anos. Em sua homenagem a Universidade de Cambridge organizou um simpósio científico, apoiado pela Intel, O Estado do Universo, com a participação de outros cientistas de grande relevância como o astrônomo Martin Rees, o professor Saul Perlmutter, Prêmio Nobel de Física, e um dos mais importantes físicos da atualidade o professor Kip Thorne, da Caltech.
Já vão 50 anos que o cientista enfrenta uma grave doença degenerativa e atualmente só se comunica por meio de um computador e uso de voz sintética. Isto não impediu de, mesmo na mais complexa deficiência- impossibilitado de se movimentar, apenas usando a mente -de complementar e elaborar um conhecimento que transformou de forma radical a nossa compreensão sobre a origem do Universo e sua dinâmica. Já pode pode ser considerado um dos cientistas mais importantes de toda a história.
Ele é o exemplo do quanto o ser humano é capaz de romper limites e se transformar num sentido positivo. A agenda positiva para o ser humano. Importante frente as manchetes diárias da agenda negativa.
Demetrio Carneiro
Quando o senso comum se coloca a falar de moral é sempre uma confusão. Primeiro por que sempre se confunde a moral com a ética, e se põe a dizer que as pessoas não tem ética e coisa e tal; segundo, por que confunde o que é comportamento moral com comportamento jurídico ( legal). Em tempos nos quais virou moda na política falar em combate a corrupção, defesa da ética, da decência, da transparência e tantos outros valores ligados ao comportamento moral do ser humano é preciso esclarecer premissas que envolvem o comportamento político, ou do contrário estaremos sempre caindo ou em um realismo político, ou, de outro lado, em um moralismo abstrato.
A primeira coisa que é preciso esclarecer é que o comportamento político não será igual em absoluto, sobretudo em uma sociedade desigual, ao comportamento moral. Sendo assim, é preciso entender o que é comportamento moral e comportamento político, sabendo que ambos possuem semelhanças e diferenças entre si. Ademais, é preciso antes disso, entender como se compreende o que é comportamento político e o que é comportamento moral. Para isso, precisamos lembrar que comportamento moral são o resultado de todos os atos humanos praticados de forma livre, consciente e responsável, e que portanto, quando se fala de Ética, estamos falando de uma ciência que estuda o comportamento moral dos seres humanos; compreendendo assim que não existe ninguém sem Ética, embora possamos dizer que existem pessoas incapazes moralmente, que são o caso das crianças, dos doentes mentais ou daqueles que vivem na completa ignorância.
Consumo e poupança são componentes da renda.
Quando o governo optou por crescer a qualquer custo e dentro desta opção escolheu o consumo interno como alavanca e ao mesmo tempo se desinteressou completamente da questão da poupança, a aposta foi encontrar ai um atalho para um rápido crescimento.
A finalidade do crescimento a qualquer custo é nitidamente eleitoral e nos coloca no caminho de um estilo de crescimento insustentável.
Não é uma boa troca essa de escolher atalhos no lugar de crescimento no longo prazo.
É mais ou menos como a questão do álcool combustível:
No momento todo o interesse do governo é torrar nossas reservas de combustível fóssil.
Danem-se as consequências ambientais e, principalmente, danem-se os programas para combustíveis alternativos.
A jogada é o aqui e agora, impressionando o eleitor com sua melhora imediata de qualidade de vida.
O resto fica mais ou menos como a inevitável crise previdenciária que virá nos próximos anos: No futuro. E o futuro não tem voto entre nós brasileiros.
PS - Logo vai aparecer alguma nota do Mantega e cia explicando que é um evento passageiro etc. e que o PIB vai crescer 50% em 2012, que o nosso futuro é dourado com tons de diamante e pérolas.
Demetrio Carneiro
Não é apenas do mal da corrupção que padece o ministério de Dilma, o patrimonialismo tem outros formatos como a proteção dos interesses políticos e o favorecimento via orçamento público de um determinado grupo.
O ministro disse que a presidente sabia que a maior parte dos recursos foram para um estado apenas...Se ela sabia e não fez nada foi conivente e agiu contra os interesse de todo o país, principalmente das populações agora atingidas em Nova Friburgo, RJ, e Minas Gerais em diversos municípios.
O ministro não precisa brincar de andar de helicóptero ou ficar fazendo de conta que o trabalho dele é sério, se reunir com o governador, tirar fotos e fazer declarações evidentemente mentirosas... nada disto.
Ele precisa mesmo é ter um pouco de dignidade, reconhecer a própria incompetência, submissão aos interesses políticos mais mesquinhos e se demitir pelo bem de todos os brasileiros....
E Dilma precisa ter a coragem e a honradez de fazer uma autocrítica pública.