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Renato Martins

Renato Martins

Num domingo recente, fui convidado para comer uma pizza com Armênio Guedes, veterano dirigente do velho PCB, 91 anos de idade.

Ergui os braços ao avistá-lo. Ele respondeu com o mesmo gesto. Ao sentar, fiz uma ironia sobre a cor de seu pulôver, vermelho como as bandeiras de uma passeata. “Continua um velho comunista,” eu disse. “Continuo reformista,” respondeu Armênio, rindo.

Embora não tenha tido a influência de um Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella, João Amazonas e outros, Armênio Guedes é hoje a principal referência do velho PCB. Está lúcido, embora cansado. A memória continua boa, em especial para os fatos antigos — o que é de extrema valia para o atual momento de sua vida. O tamanho do prestígio de Armênio Guedes pode ser medido pelo mercado editorial. Em fase de preparativos, duas editoras preparam duas biografias diferentes sobre ele.

Uma delas está sendo escrita por Sandro Vaia, antigo diretor de redação do Estadão. A outra é alinhavada por Mauro Malin, que, na condição de membro do PCB sob a ditadura militar, acompanhou Armênio Guedes em boa parte da clandestinidade, inclusive no exílio. “Tenho dúvidas se minha vida merece uma biografia,” diz Armênio, modesto. “Quanto mais duas.”

Num momento em que uma parcela da esquerda formada nas fileiras do PCB enfrenta uma situação de orfandade, Armênio é uma referência que se mantém. Ele gosta de dizer que sempre foi um “comunista de direita”. A definição é uma auto-ironia, mas tem um fundo de verdade. Para usar um chavão, Armênio é uma pessoa complexa.

Entre a pizza meio aliche, meio margarita, além de um vinho chileno, Armênio falou de vários assuntos, que serão tratados abaixo. Se você não tem interesse em fatos perdidos pela História, divergências que parecem arquivadas pelo passado, lutas que se transformaram em quase espiritualidade, mude de nota porque isso aqui vai longe. A conversa com Armênio, sempre um diálogo informal, amigo, andou em torno de vários assuntos. Entre eles: 1) sua visão sobre o esquerdismo do PCB, 2) o anarquismo de Carlos Marighella e 3) a vida em Moscou e a perda de fé na URSS.

Capaz de apegar-se a valores democráticos, num tempo em que eram desprezados nas fileiras da esquerda como desprezíveis valores “burgueses,” Armênio Guedes foi capaz de sair inteiro da longa travessia dos militantes, funcionários e burocratas dos PCs iniciada com a queda do Muro de Berlim e o colapso das reformas de Gorbatchov, o último esforço do Kremlin antes da rendição ao capitalismo.

Ele conta que, naquele momento, já tinha dificuldade para seguir acreditando que os regimes comunistas eram capazes de produzir um modo de vida superior para o conjunto da humanidade. Mas admite que não perdera todas as esperanças. “Apoiei as mudanças de Gorbatchov e achava que elas poderiam ter mudado aquele regime para melhor,” diz.

Entre os brasileiros, Armênio foi um dos primeiros a condenar a noção de ditadura do proletariado. Em vários momentos da luta interna, destacou-se por criticar o PCB por ignorar a necessidade de defender e ampliar a democracia no Brasil. Armênio diz que o partido desperdiçou chances reais de ampliar sua influência nos destinos do país porque reagia de forma errada (“antiga, embolorada”) aos desafios da conjuntura. “Sempre achei que o partido só podia crescer defendendo a liberdade, o desenvolvimento econômico. Estas deveriam ser nossas lutas.”

Nas últimas décadas, o PCB foi alvo de uma crítica a sua postura moderada, “reformista”, “conciliadora.” Essa era a crítica que lhe fazia a esquerda de 1968 e também na década seguinte. A maioria desses críticos encontra-se hoje no PT, que acabaria ocupando um espaço que, em seus manuais de astrologia, muitos comunistas imaginavam que estivesse reservado a seu partido.

A maioria dos comunistas que partilhava as mesmas idéias de Armênio formou o PPS, partido que hoje faz oposição ao governo Lula e tem uma imensa proximidade com o governador José Serra. Muitos são filiados ao PSDB.

Há 30 anos, Armênio Guedes nadava contra a corrente majoritária da esquerda. Para ele, o partido foi pouco reformista. Empregando as palavras dos críticos, ele diria que foi pouco conciliador. Conversando com Armênio, você conclui que, em sua opinião, se tivesse sido mais moderado, mais reformista, mais “cuecão”, como chegavam a dizer militantes de outras organizações, o PCB poderia ter tido um papel mais consistente na história do país. Como eu já disse, este sujeito é complexo.

Depois de pedir ao garçom uma pizza “de peixinho”, ele lembra seu primeiro encontro com Marighela, em 1935. Acabara de ingressar no PCB e compareceu a primeira reunião de uma célula estudantil, em Salvador. Marighella era o instrutor da turma – o dirigente que transmitia a linha do partido, definia tarefas e responsabilidades, ligando aquele grupo ao conjunto da organização.

O codinome do instrutor era Estanislau, “mas não se deve fazer muitas perguntas sobre ele,” lhe disseram. Marighella/Estanislau já era uma lenda entre os comunistas baianos. Ótimo aluno da faculdade de engenharia, não temia solidarizar-se com colegas que eram vítimas de gestos arbitrários de professores — mesmo correndo o risco de prejudicar-se. Era capaz de assumir culpa por faltas que não cometera apenas para denunciar o autoritarismo de punições injustas. Também era capaz de atitudes irreverentes. “Certa vez, ele saiu às ruas com metade da cabeça raspada, a outra com todos os cabelos,” conta Armênio, descrevendo uma figura que lembra os punks que iriam aparecer pelas cidades européias meio século mais tarde. “Ele já tinha tendências anarquistas,” comenta, com um jeito divertido de referir-se a coisas sérias. O “marighelismo,” como dizem os comunistas mais eruditos, foi a base da ALN, a principal organização armada criada no Brasil nos anos 60 e 70. Foi, provavelmente, a grande divergência de Armênio com comunistas que estavam dentro e fora do partido.

Ao contrário das organizações comunistas tradicionais, estruturadas de forma centralizada e disciplinada, a ALN pretendia ter um comando descentralizado, com grupos de militantes capazes de agir com relativa autonomia. Os críticos do “marighelismo” sustentam que essa frouxidão no comando levou um setor da organização a tomar iniciativas temerárias e contraproducentes, como ingressar por conta própria no sequestro do embaixador Charles Burk Elbrich — episódio que teve vários efeitos colaterais, inclusive iniciar uma caçada policial que levaria Marighela à morte, num golpe mortal que iria desestruturar a ALN para sempre.

Armênio era um calouro do PCB quando, em novembro de 1935, os comunistas tentaram tomar o poder a partir da ocupação de quartéis no Rio de Janeiro e Natal. Nos anos seguintes, grande parte dos dirigentes e quadros do partido foi presa e condenada a longas penas de cadeia. Armênio, que ao longo de sua vida só foi detido duas vezes “rapidamente, em casos sem importância”, diz, acabou assumindo responsabilidades cada que o partido só podia crescer defendendo a liberdade, o desenvolvimento econômico. Estas deveriam ser nossas lutas.”

Nas últimas décadas, o PCB foi alvo de uma crítica a sua postura moderada, “reformista”, “conciliadora.” Essa era a crítica que lhe fazia a esquerda de 1968 e também na década seguinte. A maioria desses críticos encontra-se hoje no PT, que acabaria ocupando um espaço que, em seus manuais de astrologia, muitos comunistas imaginavam que estivesse reservado a seu partido.

A maioria dos comunistas que partilhava as mesmas idéias de Armênio formou o PPS, partido que hoje faz oposição ao governo Lula e tem uma imensa proximidade com o governador José Serra. Muitos são filiados ao PSDB.

Há 30 anos, Armênio Guedes nadava contra a corrente majoritária da esquerda. Para ele, o partido foi pouco reformista. Empregando as palavras dos críticos, ele diria que foi pouco conciliador. Conversando com Armênio, você conclui que, em sua opinião, se tivesse sido mais moderado, mais reformista, mais “cuecão”, como chegavam a dizer militantes de outras organizações, o PCB poderia ter tido um papel mais consistente na história do país. Como eu já disse, este sujeito é complexo.

Depois de pedir ao garçom uma pizza “de peixinho”, ele lembra seu primeiro encontro com Marighela, em 1935. Acabara de ingressar no PCB e compareceu a primeira reunião de uma célula estudantil, em Salvador. Marighella era o instrutor da turma – o dirigente que transmitia a linha do partido, definia tarefas e responsabilidades, ligando aquele grupo ao conjunto da organização.

O codinome do instrutor era Estanislau, “mas não se deve fazer muitas perguntas sobre ele,” lhe disseram. Marighella/Estanislau já era uma lenda entre os comunistas baianos. Ótimo aluno da faculdade de engenharia, não temia solidarizar-se com colegas que eram vítimas de gestos arbitrários de professores — mesmo correndo o risco de prejudicar-se. Era capaz de assumir culpa por faltas que não cometera apenas para denunciar o autoritarismo de punições injustas. Também era capaz de atitudes irreverentes. “Certa vez, ele saiu às ruas com metade da cabeça raspada, a outra com todos os cabelos,” conta Armênio, descrevendo uma figura que lembra os punks que iriam aparecer pelas cidades européias meio século mais tarde. “Ele já tinha tendências anarquistas,” comenta, com um jeito divertido de referir-se a coisas sérias. O “marighelismo,” como dizem os comunistas mais eruditos, foi a base da ALN, a principal organização armada criada no Brasil nos anos 60 e 70. Foi, provavelmente, a grande divergência de Armênio com comunistas que estavam dentro e fora do partido.

Ao contrário das organizações comunistas tradicionais, estruturadas de forma centralizada e disciplinada, a ALN pretendia ter um comando descentralizado, com grupos de militantes capazes de agir com relativa autonomia. Os críticos do “marighelismo” sustentam que essa frouxidão no comando levou um setor da organização a tomar iniciativas temerárias e contraproducentes, como ingressar por conta p

Sem oposição

por Renato Martins
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Num domingo recente, fui convidado para comer uma pizza com Armênio Guedes, vete
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em Quarta, 18 Janeiro 2012
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Por Merval Pereira

A incapacidade de o PSDB se articular minimamente para exercer o papel que lhe cabe como maior partido oposicionista brasileiro resulta em uma apatia política perigosa, que não faz nada bem à democracia. A mais recente demonstração disso é o convite despropositado feito pelas regionais do Rio e do Distrito Federal para que o senador Álvaro Dias seja candidato a governador.
O governo Dilma Rousseff, mesmo sem grandes realizações em seu primeiro ano e cheio de problemas para resolver na sua base aliada, continua popularíssimo graças à sensação de bem-estar que a economia brasileira ainda é capaz de proporcionar, mesmo que os sinais de desgaste do modelo estejam evidentes, até mesmo pelo reflexo da crise internacional.
O aumento do salário mínimo em torno de 14% é um forte alavancador do consumo interno e impulsiona a popularidade do governo, mesmo que tenha chegado em uma hora em que as contas públicas andam precisando de uma forte contenção.
A oposição, minguada em números - representa cerca de 18% do Congresso, o menor índice desde a redemocratização -, não tem uma atuação qualitativa que compense a fraqueza numérica.
Tudo indica que o principal partido, o PSDB, está preso em uma armadilha que já o apanhou uma vez, na disputa contra a presidente Dilma Rousseff em 2010.
Ali se avaliou erroneamente que a candidata de Lula não teria condições de disputar a campanha presidencial com o grão-tucano José Serra, e este optou por não atacar o ex-presidente (ao contrário, chegou a elogiá-lo), na vã esperança de que os eleitores lulistas veriam nele uma alternativa melhor do que Dilma.
Como se a disputa política-ideológica não fizesse parte do pensamento estratégico de uma parte do eleitorado, e a outra não estivesse ligada à continuidade das benesses oficiais.
O ex-governador paulista mudou radicalmente sua postura depois da derrota, e anda muito mais ativo na crítica ao governo do que seu próprio partido, ou mesmo que seu adversário interno, o senador Aécio Neves, que ainda não disse a que veio.
O problema de Serra é que essa atitude que vem assumindo agora chega quando já não tem as condições políticas necessárias para se colocar como candidato a presidente pelo PSDB, uma obsessão que não corresponde à realidade do momento.
Está tudo preparado - e de modo truculento, no ponto de vista dos serristas, cada vez em menor número - para que Aécio Neves seja o candidato da vez dos tucanos.
Aliás, essa "truculência" apontada por seus seguidores pode dar a Serra a explicação para deixar o partido e tentar se candidatar à Presidência pelo PPS ou pelo PSD, caso não se acerte no PSDB.
A única maneira de clarear a situação interna dos tucanos seria Serra aceitar se candidatar à prefeitura paulistana e deixar o caminho aberto para Aécio Neves, o que significaria que desistiu de chegar à Presidência da República, o que parece improvável neste momento.
O problema de Aécio parece ser uma maneira antiquada de fazer política, que não o coloca perante a opinião pública como um líder oposicionista.
Ele tem se movimentado bastante pelos bastidores, tentando acertar acordos que podem levá-lo a quebrar a ampla coalizão partidária que dá apoio à presidente Dilma.
A questão é que esses acordos dependem do fracasso do governo, mais especificamente no enfraquecimento econômico do nosso crescimento.
A perspectiva para os próximos anos não é nada boa, e é possível que o governo Dilma mantenha-se em um patamar medíocre justamente nos anos eleitorais.
O crescimento do ano passado já deve ser abaixo de 3%, em parte porque o governo quis frear o crescimento para controlar a inflação, em parte porque a crise internacional não permitiu crescimento maior.
Segundo relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) divulgado ontem, a economia mundial beira uma nova recessão, e espera-se crescimento "anêmico" nos anos de 2012 e 2013.
O crescimento da América Latina e do Caribe será de 3,3% este ano, e o Brasil se manterá abaixo da média, como vem ocorrendo nos últimos anos: a previsão de crescimento do PIB brasileiro é de 2,7%.
São dados preocupantes, que sinalizam menos arrecadação de impostos e exigirão do governo um corte nos gastos públicos que ele não tem conseguido concretizar a não ser cortando investimentos, o que leva a menos crescimento ainda.
Dois anos seguidos de crescimento abaixo de 3% configurariam uma situação econômica difícil, mesmo que nosso PIB cresça mais que o dos países desenvolvidos.
Nesse ritmo, continuaremos nos aproximando das chamadas "economias maduras" do mundo, mas perdendo terreno para os emergentes como nós, que crescem a uma taxa mais acelerada, apesar da crise.
E, sobretudo, perdendo as condições de manter a política social que garante a popularidade do governo, mesmo em um ano medíocre em realizações.
Pois o PSDB parece estar jogando na crise econômica como única arma de argumentação para o eleitorado mudar de governo em 2014, sobretudo porque, nesse caso, a desintegração da coalizão governamental poderia oferecer um caminho para a campanha de Aécio Neves à Presidência, com a adesão de alguns partidos, descontentes ou mais pragmáticos.
Há potenciais crises para todos os lados. O PSB do governador Eduardo Campos disputa a primazia de ser o segundo partido da aliança, com direito a indicar o vice, com o PMDB, que disputa com o PT espaços no governo e nas alianças estaduais.
Qualquer dos dois partidos aderiria com prazer a uma candidatura tucana com Aécio Neves à frente, desde que a situação do governo comece a ficar difícil por causa da economia.
Se tudo continuar como está, com a presidente Dilma transformando-se em solução natural para o PT depois que Lula parece estar disposto a continuar sendo o grande eleitor, sem disputar novamente a Presidência como planejara antes de sua doença, os partidos aliados se conformarão dentro da coalizão, mesmo que insatisfeitos.
E o PSDB não parece ter uma proposta alternativa para oferecer ao eleitorado. O PT na oposição apresentava uma alternativa concreta ao governo de FHC, mesmo que fosse equivocada e tivesse que ser abandonada, por inviável. Mas durante algum tempo convenceu o eleitorado de que tinha a saída.
FONTE: O GLOBO

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Pequena História dos Quilombos

por Renato Martins
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em Sexta, 30 Setembro 2011
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No período de escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.

Na ocasião em que Pernambuco foi invadida pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de engenho acabaram por abandonar suas terras. Este fato beneficiou a fuga de um grande número de escravos. Estes, após fugirem, buscaram abrigo no Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas.

Esse fato propiciou o crescimento do Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este já abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, também conhecidos como quilombolas, costumavam pegar alimentos às escondidas das plantações e dos engenhos existentes em regiões próximas; situação que incomodava os habitantes.

Esta situação fez com que os quilombolas fossem combatidos tanto pelos holandeses (primeiros a combatê-los) quanto pelo governo de Pernambuco, sendo que este último contou com os ser­viços do bandeirante Domingos Jorge Velho.

A luta contra os negros de Palmares durou por volta de cinco anos; contudo, apesar de todo o empenho e determinação dos negros chefiados por Zumbi, eles, por fim, foram derrotados.

Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a forma de viver que deixaram na África.

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