Novas imagens de índios isolados resgatam a trágica morte de Nicolás "Shaco" Flores na Amazônia peruana
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A morte do índio peruano aculturado da tribo matsigenka, Nicolás "Shaco" Flores, flechado no coração por um índio mashco-piro, isolado, repõe o problema da dimensão trágica do encontro de culturas. A etnia de Nicolás vive no parque indígena do Rio Manu, na Amazônia peruana. Os mashco-piro, que são entre 100 e 200 indivíduos, mantinham-se isolados na mata e começaram a aparecer nas praias do rio, onde foram fotografados, aparentemente empurrados pela penetração das madeireiras, das petroleiras e das mineradoras. Estão se deslocando, portanto, para uma área devassada pela frequência de missionários, turistas e empregados das empresas nela interessadas.
Entidades de defesa dos povos indígenas, como a Survival International, têm chamado a atenção para a questão dos povos isolados nessa parte da Amazônia e da Amazônia brasileira. No lado brasileiro da fronteira do Acre com o Peru, uma tribo foi descoberta recentemente e vem sendo acompanhada. Como lembrou o sertanista José Carlos Meirelles, em entrevista à BBC, durante sobrevoo na área acreana, é preciso antecipar-se aos grupos de motivação econômica, que põem em risco a vida e a sobrevivência dos grupos indígenas isolados. Localizá-los e fotografá-los para atestar sua existência e revelá-la aos governos e à sociedade é o único modo de antecipar-se ao contato destrutivo.
Por José de Souza Martins , no Estadão.