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A nova desordem econômica internacional

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A economia mundial está sendo remodelada bem diante dos nossos olhos. Os países ditos emergentes começam a crescer de forma nunca imaginada ou prevista.
 
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Ainda que não cresçam de forma "inclusiva" - pois continuam sem resolver os seus pré-históricos problemas de concentração de renda e de riqueza - o tamanho da economia dos emergentes já é suficiente para tomar parte considerável dos mercados comerciais e financeiros do mundo atual, gerando "ruídos" no comércio e nas finanças internacionais.

Mas esta nova "convergência" que parece estar se impondo tem - como, aliás, tudo na vida - um custo. Repentinamente, o mundo virou de cabeça para baixo: os países ricos passaram a incorrer em grandes déficits fiscais e externos e em muitos casos perderam a condição de credores líquidos internacionais e se transformaram em devedores líquidos. Enquanto isso, os países "pobres" passaram à condição de acumuladores de ativos externos e começaram a exportar poupança para o mundo dos ricos. Tremenda confusão, grande custo social!

Os líderes das economias mundiais pouco se apercebiam de que o novo "reordenamento" e o tão sonhado caminho de "convergência" das suas economias terminariam por acelerar o aumento dos desequilíbrios globais e eventualmente puxar o gatilho de uma grande crise financeira, capaz de abalar os alicerces da ordem econômica então vigente.

Cerca de setenta anos atrás, a distribuição do Produto Global era de tal ordem que a Europa somente poderia ter como "grande adversário" a economia dos Estados Unidos da América (EUA) e dela extrair o modelo para construir a "União Europeia". Nos últimos 10 anos, entretanto, a União Europeia e os EUA já se defrontam com uma economia globalizada (isto é, com grande mobilidade nas trocas de ativos e bens internacionais), totalmente redesenhada pela presença ativa das economias emergentes da Ásia e América Latina.

É um mundo onde as economias de escala (crescimento com redução dos custos) e de escopo (diversificação dos produtos das empresas para diluir os custos fixos), bem como a "economia das redes de inovação" passaram a ser cada vez mais importantes. Para 2016 - já bem perto! - pode-se esperar que o Produto Interno Bruto da União Europeia, medido em termos de paridade de poder de compra, fique abaixo da China. Juntas, as economias da Índia e da China devem estar próximas do dobro do tamanho da economia da União Europeia. Em espaço de tempo um pouco maior, o Produto Interno Bruto das economias de todo o G-7 será engolido em consequência do rápido crescimento das economias emergentes. Alguém pode entender alguma coisa? Alguém pode explicar?

Esta mudança de posições acentuou as crises financeiras dos emergentes nos últimos 10 ou 15 anos: a Ásia, o Leste Europeu e a América Latina (esta última no início dos anos 90 e no comecinho deste novo século) anteciparam a atual crise dos ricos.

E agora? Agora falta liderança política - mais uma vez! - porque a transição da velha ordem para a nova economia globalizada tem custos, que somente podem ser reduzidos por uma clara sinalização de que "alguém está no controle do voo". Ou seja, aos riscos comerciais e financeiros foi acrescentado um risco operacional. É perigoso investir, é perigoso poupar. O sentimento de longo prazo, longa vida, deu lugar à urgência de consumir hoje - porque pode não haver o que consumir amanhã.

À primeira vista, esta convergência entre ricos e emergentes é a consequência natural do surgimento de uma nova ordem e conduz ao pensamento de que, logo, logo, as coisas se ajeitam, de que é tudo uma questão de tempo. Infelizmente o mundo é um pouco mais malvado. Com desconfiança e ressentimento ninguém consegue pensar em investir e, consequentemente, em poupar. Não há mais fidúcia econômica, não há mais cálculo econômico ancorado em colaboração. A atual trilha de convergência sequer pode ser um jogo de soma zero

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