Renato Martins
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Amigos de Renato Martins
Tiago Bernardino
Só quem usa algum produto da Apple é que conhece o verdadeiro gênio que Steve Jobs foi!
MARIA INEZ SANTOS
QUERO DE VOLTA...
Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades…
Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade…
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Trabalhador digno e cumpridor dos deveres virou otário.
Pagar dívidas em dia é ser tonto…
Anistia para corruptos e sonegadores…
O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.
Que valores são esses?
Automóveis que valem mais que abraços,
Filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano.
Filhos esquecendo o respeito, no trato com os pais e avós.
Celulares nas mochilas de crianças.
O que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma.
Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa.
Mais vale uma maquiagem que um sorvete.
Mais vale parecer do que ser…
Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores!
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão!
Quero honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho.
Quero sair de casa sabendo a hora que estarei de volta, sem medo de assaltos ou balas perdidas
Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Onde uma palavra valia mais que qualquer documento assinado
Quero a esperança, a alegria, a confiança de volta!
Quero calar a boca de quem diz:
“ temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer.
Quero ter de volta
o meu mundo simples e comum.
Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser “gente”
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia?
Quem sabe?...
Precisamos tentar…
Autor: Gotas de Crystal
Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades…
Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade…
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Trabalhador digno e cumpridor dos deveres virou otário.
Pagar dívidas em dia é ser tonto…
Anistia para corruptos e sonegadores…
O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.
Que valores são esses?
Automóveis que valem mais que abraços,
Filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano.
Filhos esquecendo o respeito, no trato com os pais e avós.
Celulares nas mochilas de crianças.
O que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma.
Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa.
Mais vale uma maquiagem que um sorvete.
Mais vale parecer do que ser…
Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores!
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão!
Quero honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho.
Quero sair de casa sabendo a hora que estarei de volta, sem medo de assaltos ou balas perdidas
Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Onde uma palavra valia mais que qualquer documento assinado
Quero a esperança, a alegria, a confiança de volta!
Quero calar a boca de quem diz:
“ temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer.
Quero ter de volta
o meu mundo simples e comum.
Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser “gente”
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia?
Quem sabe?...
Precisamos tentar…
Autor: Gotas de Crystal
Manoel Almeida
Parabéns aos Trabalhadores, estes são a alavanca da Ordem e Progresso de nossa Bandeira, Parabéns ao meu Bairro de São José pelo aniversário e parabéns aos católicos, devotos de São José Operário pelo seu dia. Vamo que Vamo.. o 1º de Maio já vai..
Deibson De Souza Cavalcanti
felicidades aos meus amigos Ed Franco, Thiago Borges Modesto, Sid Silva, Nucleo Odunge Odunge que tem uma luta muito bonita, o político Geórgeton José Nery Rios, minha amigona Karine Assis, a grande artista Marluce Moura. Deus ilumine a todos sempre
LUIZ PAIXÃO
DA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO
E DA RESISTÊNCIA DE BERTOLT BRECHT
Luiz Paixão
Quais as dificuldades para se montar Brecht hoje?
Sua obra suportaria um debate num momento em que o anticomunismo supera até mesmo os tempos da guerra fria e do macarthismo?
Brecht resiste ao tempo ou foi superado pela globalização e pelo neoliberalismo?
Poderia o mundo atual ser discutido através da sua obra, quando já se decretou a morte de Marx, Engels e Lênin?
O próprio Brecht afirmou: só poderemos descrever o mundo atual para o homem atual, na medida em que o descrevermos como mundo passível de modificação. Para o homem atual, o valor das perguntas reside nas respostas. O homem de hoje interessa-se por situações e por ocorrências que possa enfrentar ativamente.
A obra do dramaturgo e encenador alemão Bertolt Brecht (1898-1956) se caracteriza por uma profunda crença no homem. Ainda que sabedor do sistema opressivo a que estão submetidos, expõe as contradições de seus personagens permitindo a eles a possibilidade da escolha através de uma análise da correlação de forças. Seu homem é senhor do seu próprio destino, embora susceptível a transformações. Traz para o teatro a discussão das contradições humanas, revestindo-lhes de incomparável poesia e beleza. Brecht lamentou sempre ter que falar das misérias humanas, mas não podia se furtar e, de fato, não se furtou em momento algum de sua vida em colocá-las como prioridade em sua obra. E enfrenta, na condição de poeta e dramaturgo, uma terrível contradição, quer falar das pequenas coisas cotidianas que tornam um homem redondo e humano e se vê obrigado pelas forças sociais denunciar a guerra, a exploração, a miséria e a fome. Uma rima no meu poema/Me daria quase a impressão de uma insolência,/Em mim se enfrentam/A exaltação quando vejo a macieira em flor/E o horror que me causam os discursos do pintor de paredes./Mas somente o horror/Me faz escrever. Porém, não permite nunca que a aspereza da vida contamine sua obra roubando-lhe a beleza poética e a dimensão humana de seus personagens. Conseguiu como ninguém fazer um teatro ao mesmo tempo profundamente comprometido com a revolução, sem perder em momento algum seu valor poético. Reconhece a função social do artista e a ela se entrega de corpo e alma. Não abre mão de suas convicções políticas e ideológicas e cria uma obra que responde ao seu tempo e sua história, tão consciente e consistente que rompe o seu próprio limite de tempo e espaço e sobrevive ainda hoje como obra pulsante e profundamente atual.
Em um poema, Bertolt Brecht deixou registrada a sua opção política e ideológica e a ela se manteve fiel: Eu era filho de pessoas que tinham posses./Meus pais puseram um colarinho engomado ao redor do meu pescoço/E me educaram no hábito de ser servido/E me ensinaram a arte de dar ordens. /Mas, mais tarde, quando/Olhei ao redor de mim,/Não gostei das pessoas da minha classe/Nem de dar ordens, muito menos de ser servido./E abandonei as pessoas da minha classe/Para viver ao lado dos humildes. Brecht acredita no teatro como um poderoso agente de transformação social e busca novos elementos que contribuam para o melhor entendimento das relações sociais a que os homens estão subordinados. Um dos nomes mais importantes do teatro no século XX, representante máximo da corrente marxista, Brecht rompeu com o chamado teatro dramático e formulou um pensamento para um teatro que não nos proporcione somente as sensações, as idéias e os impulsos que são permitidos dentro do respectivo contexto histórico das relações humanas (em que as ações se realizam), mas também que empregue e suscite pensamentos e sentimentos que ajudem a transformação desse mesmo contexto.
O capitalismo não superou suas contradições, que se apresentam a cada dia mais acirradas. O homem ainda tem que lutar arduamente pelo pão e pelos direitos de sobrevivência, numa sociedade determinada pelo lucro e pelo consumo. Para se entender o mundo como passível de modificação, é preciso compreender o homem como agente transformador e, ao mesmo tempo, transformável. Compreender a dinâmica do movimento e suas leis, regidas pela dialética. Compreender que o movimento é absoluto e o repouso relativo. Sem esse mínimo de compreensão não é possível compreender a sociedade atual e toda sua complexidade. O homem não mudou. Continua um ser contraditório e multifacetado, por isso o Galileu de Brecht, ou Mãe Coragem (para ficarmos em apenas dois de sua imensa galeria de grandes personagens), dialogam com as platéias do mundo inteiro de igual pra igual, e nós entendemos claramente o que dizem, porque seus problemas continuam sendo os nossos problemas. Mãe Coragem quando comercializa a guerra e Galileu quando enfrenta a Inquisição e levanta a questão fundamental: qual o compromisso do cientista e da ciência para com a humanidade? Em seu discurso final, Galileu faz sua autocrítica e questiona: Seremos ainda cientistas se nos desligamos da multidão?(...) Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a canseira da existência humana.
Brecht propõe uma profunda e radical reorientação do fazer teatral, norteado pelo materialismo histórico e dialético, estabelecendo novas possibilidades de análise da sociedade capitalista. Entende a vida como um processo dinâmico e, para analisá-la necessita de um novo teatro. Um teatro científico e de cunho nitidamente proletário e que tem início em 1918, quando escreve sua primeira peça, BAAL. Desenvolve uma nova teoria de teatro que visa explicar e fazer entender as lutas que o homem trava no seu dia-a-dia contra os diversos tipos de opressão, suas contradições, suas necessidades e possibilidades, das mais simples às mais complexas. Um teatro para a era cientifica que não pode se furtar a refletir a realidade através da luta de classes, onde a crítica ao modo de produção capitalista revela a exploração do homem pelo homem: Eu vi trabalhadores adentrarem os portões da fábrica / e os portões eram altos / mas ao saírem tinham que se curvar. / Então eu disse a mim mesmo: / tudo se transforma e é próprio apenas do seu tempo.
O realismo dialético (denominação bem mais abrangente do que teatro épico), no pensamento brechtiano, tem como fundamento o distanciamento, que não está ligado somente a uma nova postura do ator diante de seu personagem, mas a uma nova e complexa postura cênica, pois envolve não só o ator, embora ele seja o elemento principal, mas todas as componentes teatrais: a dramaturgia não aristotélica, uma nova concepção cenográfica e de figurinos, iluminação não ilusionista, gestos, posturas e movimentos, tudo isso formando uma unidade que tem como objetivo principal denunciar as relações sociais através do que Brecht chamou gestus social, ou seja, o conjunto de elementos que visa expor as relações sociais, nas quais os homens de uma determinada época se relacionam. Brecht nos dá um exemplo bastante simples e objetivo: um pão pode ser apenas um alimento, mas também pode representar a miséria de um determinado personagem, neste momento o pão passa a ser gestus social. É com essa nova maneira de pensar o espetáculo Brecht transforma o teatro de sua época e de deixa influências profundas nos dias de hoje.
Brecht viveu a experiência das duas grandes guerras mundiais e isso marcou irreversivelmente toda sua obra. Foi perseguido por Hitler – a quem sempre tratava como o pintor de paredes – e viveu vários anos no exílio mudando mais de país do que de sapatos; enfrentou o Comitê de Atividade Antiamericanas, em 1947, até poder voltar para RDA, outubro de 1948 – quando voltei/meu cabelo ainda não estava grisalho/e eu era feliz -, e ali experimentar o socialismo e desenvolver seu trabalho à frente do Berliner Ensemble, até sua morte. Foi um pacifista e a condenação da brutalidade da guerra está presente em diversas peças e inúmeros poemas. Coloca o seu teatro à disposição da luta pela paz, pela democracia e pelo socialismo. Um teatro que promova um posicionamento crítico e leve a uma transformação: sem opiniões e objetivos nada se pode representar, nada se pode mostrar: como é que alguém poderá discernir o que é que vale a pena saber? A menos que o ator se satisfaça em parecer um papagaio ou macaco, ele tem de adquirir conhecimento sobre o convívio humano, patrimônio de sua época. As terríveis experiências da guerra e sua incansável luta contra o capitalismo vão balizar seu pensamento teatral anticapitalista e antiimperialista: O que é um assalto a banco, comparado com a fundação de um banco? O que significa matar um homem, comparado com contratá-lo para um trabalho assalariado?
Muito tem se falado de Brecht, a favor e contra. Já foi satanizado e glorificado. Execrado e dogmatizado. Isso é muito saudável e até democrático. Brecht não é um pensamento fechado e conclusivo, está, e deve estar sempre aberto a adequações e atualizações dentro de cada realidade, pois é ela, a realidade, que determina que caminhos tomar. Entender Brecht como um ponto de partida, como um formulador de projetos, como um pensamento que estimula o debate, não como uma pensamento obtuso e arcaico. O que não se pode aceitar é o discurso vazio e inócuo, que serve apenas para deixar clara a não compreensão da profundidade de seus objetivos e do que seja o realismo dialético. Dizer simplesmente que Brecht não tem emoção é chover no molhado. É argumento vazio daqueles que querem denegrir sua teoria. Brecht nunca negou a emoção, muito antes pelo contrário, sempre ressaltou sua importância: o que é frio e mecânico não se coaduna com a arte. Por outro lado, muitos equívocos foram cometidos por não se compreender Brecht. Autor extremamente popular foi transformado, desastrosamente, num dramaturgo de difícil entendimento, hermético mesmo e, muitas vezes, até chato. O realismo dialético deu lugar a uma série de erros e incompreensões do seu pensamento, transformando o “efeito de distanciamento” numa idiotice sem fim, acreditando que ele se estabelece apenas através de uma mudança de atitude d
E DA RESISTÊNCIA DE BERTOLT BRECHT
Luiz Paixão
Quais as dificuldades para se montar Brecht hoje?
Sua obra suportaria um debate num momento em que o anticomunismo supera até mesmo os tempos da guerra fria e do macarthismo?
Brecht resiste ao tempo ou foi superado pela globalização e pelo neoliberalismo?
Poderia o mundo atual ser discutido através da sua obra, quando já se decretou a morte de Marx, Engels e Lênin?
O próprio Brecht afirmou: só poderemos descrever o mundo atual para o homem atual, na medida em que o descrevermos como mundo passível de modificação. Para o homem atual, o valor das perguntas reside nas respostas. O homem de hoje interessa-se por situações e por ocorrências que possa enfrentar ativamente.
A obra do dramaturgo e encenador alemão Bertolt Brecht (1898-1956) se caracteriza por uma profunda crença no homem. Ainda que sabedor do sistema opressivo a que estão submetidos, expõe as contradições de seus personagens permitindo a eles a possibilidade da escolha através de uma análise da correlação de forças. Seu homem é senhor do seu próprio destino, embora susceptível a transformações. Traz para o teatro a discussão das contradições humanas, revestindo-lhes de incomparável poesia e beleza. Brecht lamentou sempre ter que falar das misérias humanas, mas não podia se furtar e, de fato, não se furtou em momento algum de sua vida em colocá-las como prioridade em sua obra. E enfrenta, na condição de poeta e dramaturgo, uma terrível contradição, quer falar das pequenas coisas cotidianas que tornam um homem redondo e humano e se vê obrigado pelas forças sociais denunciar a guerra, a exploração, a miséria e a fome. Uma rima no meu poema/Me daria quase a impressão de uma insolência,/Em mim se enfrentam/A exaltação quando vejo a macieira em flor/E o horror que me causam os discursos do pintor de paredes./Mas somente o horror/Me faz escrever. Porém, não permite nunca que a aspereza da vida contamine sua obra roubando-lhe a beleza poética e a dimensão humana de seus personagens. Conseguiu como ninguém fazer um teatro ao mesmo tempo profundamente comprometido com a revolução, sem perder em momento algum seu valor poético. Reconhece a função social do artista e a ela se entrega de corpo e alma. Não abre mão de suas convicções políticas e ideológicas e cria uma obra que responde ao seu tempo e sua história, tão consciente e consistente que rompe o seu próprio limite de tempo e espaço e sobrevive ainda hoje como obra pulsante e profundamente atual.
Em um poema, Bertolt Brecht deixou registrada a sua opção política e ideológica e a ela se manteve fiel: Eu era filho de pessoas que tinham posses./Meus pais puseram um colarinho engomado ao redor do meu pescoço/E me educaram no hábito de ser servido/E me ensinaram a arte de dar ordens. /Mas, mais tarde, quando/Olhei ao redor de mim,/Não gostei das pessoas da minha classe/Nem de dar ordens, muito menos de ser servido./E abandonei as pessoas da minha classe/Para viver ao lado dos humildes. Brecht acredita no teatro como um poderoso agente de transformação social e busca novos elementos que contribuam para o melhor entendimento das relações sociais a que os homens estão subordinados. Um dos nomes mais importantes do teatro no século XX, representante máximo da corrente marxista, Brecht rompeu com o chamado teatro dramático e formulou um pensamento para um teatro que não nos proporcione somente as sensações, as idéias e os impulsos que são permitidos dentro do respectivo contexto histórico das relações humanas (em que as ações se realizam), mas também que empregue e suscite pensamentos e sentimentos que ajudem a transformação desse mesmo contexto.
O capitalismo não superou suas contradições, que se apresentam a cada dia mais acirradas. O homem ainda tem que lutar arduamente pelo pão e pelos direitos de sobrevivência, numa sociedade determinada pelo lucro e pelo consumo. Para se entender o mundo como passível de modificação, é preciso compreender o homem como agente transformador e, ao mesmo tempo, transformável. Compreender a dinâmica do movimento e suas leis, regidas pela dialética. Compreender que o movimento é absoluto e o repouso relativo. Sem esse mínimo de compreensão não é possível compreender a sociedade atual e toda sua complexidade. O homem não mudou. Continua um ser contraditório e multifacetado, por isso o Galileu de Brecht, ou Mãe Coragem (para ficarmos em apenas dois de sua imensa galeria de grandes personagens), dialogam com as platéias do mundo inteiro de igual pra igual, e nós entendemos claramente o que dizem, porque seus problemas continuam sendo os nossos problemas. Mãe Coragem quando comercializa a guerra e Galileu quando enfrenta a Inquisição e levanta a questão fundamental: qual o compromisso do cientista e da ciência para com a humanidade? Em seu discurso final, Galileu faz sua autocrítica e questiona: Seremos ainda cientistas se nos desligamos da multidão?(...) Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a canseira da existência humana.
Brecht propõe uma profunda e radical reorientação do fazer teatral, norteado pelo materialismo histórico e dialético, estabelecendo novas possibilidades de análise da sociedade capitalista. Entende a vida como um processo dinâmico e, para analisá-la necessita de um novo teatro. Um teatro científico e de cunho nitidamente proletário e que tem início em 1918, quando escreve sua primeira peça, BAAL. Desenvolve uma nova teoria de teatro que visa explicar e fazer entender as lutas que o homem trava no seu dia-a-dia contra os diversos tipos de opressão, suas contradições, suas necessidades e possibilidades, das mais simples às mais complexas. Um teatro para a era cientifica que não pode se furtar a refletir a realidade através da luta de classes, onde a crítica ao modo de produção capitalista revela a exploração do homem pelo homem: Eu vi trabalhadores adentrarem os portões da fábrica / e os portões eram altos / mas ao saírem tinham que se curvar. / Então eu disse a mim mesmo: / tudo se transforma e é próprio apenas do seu tempo.
O realismo dialético (denominação bem mais abrangente do que teatro épico), no pensamento brechtiano, tem como fundamento o distanciamento, que não está ligado somente a uma nova postura do ator diante de seu personagem, mas a uma nova e complexa postura cênica, pois envolve não só o ator, embora ele seja o elemento principal, mas todas as componentes teatrais: a dramaturgia não aristotélica, uma nova concepção cenográfica e de figurinos, iluminação não ilusionista, gestos, posturas e movimentos, tudo isso formando uma unidade que tem como objetivo principal denunciar as relações sociais através do que Brecht chamou gestus social, ou seja, o conjunto de elementos que visa expor as relações sociais, nas quais os homens de uma determinada época se relacionam. Brecht nos dá um exemplo bastante simples e objetivo: um pão pode ser apenas um alimento, mas também pode representar a miséria de um determinado personagem, neste momento o pão passa a ser gestus social. É com essa nova maneira de pensar o espetáculo Brecht transforma o teatro de sua época e de deixa influências profundas nos dias de hoje.
Brecht viveu a experiência das duas grandes guerras mundiais e isso marcou irreversivelmente toda sua obra. Foi perseguido por Hitler – a quem sempre tratava como o pintor de paredes – e viveu vários anos no exílio mudando mais de país do que de sapatos; enfrentou o Comitê de Atividade Antiamericanas, em 1947, até poder voltar para RDA, outubro de 1948 – quando voltei/meu cabelo ainda não estava grisalho/e eu era feliz -, e ali experimentar o socialismo e desenvolver seu trabalho à frente do Berliner Ensemble, até sua morte. Foi um pacifista e a condenação da brutalidade da guerra está presente em diversas peças e inúmeros poemas. Coloca o seu teatro à disposição da luta pela paz, pela democracia e pelo socialismo. Um teatro que promova um posicionamento crítico e leve a uma transformação: sem opiniões e objetivos nada se pode representar, nada se pode mostrar: como é que alguém poderá discernir o que é que vale a pena saber? A menos que o ator se satisfaça em parecer um papagaio ou macaco, ele tem de adquirir conhecimento sobre o convívio humano, patrimônio de sua época. As terríveis experiências da guerra e sua incansável luta contra o capitalismo vão balizar seu pensamento teatral anticapitalista e antiimperialista: O que é um assalto a banco, comparado com a fundação de um banco? O que significa matar um homem, comparado com contratá-lo para um trabalho assalariado?
Muito tem se falado de Brecht, a favor e contra. Já foi satanizado e glorificado. Execrado e dogmatizado. Isso é muito saudável e até democrático. Brecht não é um pensamento fechado e conclusivo, está, e deve estar sempre aberto a adequações e atualizações dentro de cada realidade, pois é ela, a realidade, que determina que caminhos tomar. Entender Brecht como um ponto de partida, como um formulador de projetos, como um pensamento que estimula o debate, não como uma pensamento obtuso e arcaico. O que não se pode aceitar é o discurso vazio e inócuo, que serve apenas para deixar clara a não compreensão da profundidade de seus objetivos e do que seja o realismo dialético. Dizer simplesmente que Brecht não tem emoção é chover no molhado. É argumento vazio daqueles que querem denegrir sua teoria. Brecht nunca negou a emoção, muito antes pelo contrário, sempre ressaltou sua importância: o que é frio e mecânico não se coaduna com a arte. Por outro lado, muitos equívocos foram cometidos por não se compreender Brecht. Autor extremamente popular foi transformado, desastrosamente, num dramaturgo de difícil entendimento, hermético mesmo e, muitas vezes, até chato. O realismo dialético deu lugar a uma série de erros e incompreensões do seu pensamento, transformando o “efeito de distanciamento” numa idiotice sem fim, acreditando que ele se estabelece apenas através de uma mudança de atitude d
Raulino Oliveira
Em tempos de Rio + 20, vale uma navegada neste site.
http://www.nossacasa.net/mc/default.asp?menu=9
http://www.nossacasa.net/mc/default.asp?menu=9
MARCO ANTONIO GOMES DE LIMA
Hoje estou motivado a reunir o partido e discutir acerca do plebiscito aqui no Pará.
Lairson Giesel
no aeroporto de Congonhas. Pronto para voltar para casa. Aqui um sol daqueles!
Ageo Belfort Mar
Penso que a sustentabilidade social está alicerçada nos cumprimentos das Leis que regem as relações sociais. Nesse aspectos nosso Brasil está um caos. Nosso Judiciário é banhado pela corrupção descarada, nosso Legislativo é um mercado das ações de corrupção e nosso Executivo é o mentor, maestro e provedor de toda as formas de corrupções instauradas no País. É isso aí.
Estter Magalhães
A primavera dos Direitos Humanos apenas começou
Quando finalmente ia se votar na Camara o projeto de lei da Comissão da Verdade, dissemos aqui que se abria a primavera dos direitos humanos. O projeto já foi aprovado também no Senado e sancionado pela Dilma. As próprias condições do ato de sanção revelam como se trata apenas de um começo, da abertura de um espaço de disputa, que pode se ampliar e efetivamente não apenas cumprir com os objetivos que se propõem, como ir mais além, ou fracassar e frustrar mais uma vez a possibilidade de virar dignamente essa página triste da nossa história que foi a ditadura militar.
Os problemas não residem no prazo, nem no número de membros da Comissão. Nos outros países da região o numero dos componentes de comissões similares foi mais ou menos esse, o que interessa é a capacidade de ação, de mobilização e de coordenação que a Comissão tenha. Ela poderá contar com todas as pesquisas feitas até aqui, com a colaboração de grande quantidade de centros de pesquisas e de materiais já coletados e colocados à disposição da Comissão.
O prazo tampouco deve ser um problema, já que ela não começará do nada, sistematizará materiais já existentes e buscará preencher lacunas pendentes. A dedicação dos seus membros às suas funções pode permitir plenamente o cumprimento delas.
Provavelmente a Comissão não poderá elucidar o que não foi elucidado até aqui, mas sistematizará o que já foi investigado. Os arquivos em mãos dos militares, segundo eles, teriam sido destruídos. Nesse caso, a Comissão tem a responsabilidade inquirir sobre as responsabilidades dessa eventual desaparição e apontar os que teriam cometido esse crime de sonegação de informação essencial aos direitos humanos.
Muitos depoimentos, mesmo já conhecidos, permitirão reavirar a memória das brutalidades cometidas pela ditadura, assim como fazer conhecer a novas gerações como atuava o Estado do terror. O clima que possa gerar e os materiais acumulados – que deverão ser entregues à Justiça – podem propiciar as condições para rediscutir a anistia autoconcedida pelos militares.
Mas talvez o mais importante seja a versão oficial do Estado brasileiro sobre a ditadura militar, a ruptura da democracia e de um governo legitimamente eleito pelo povo, o Estado de terror que foi instalado, as barbaridades que cometeu, etc.
A tentativa de colocar, no mesmo nível, verdugos e vítimas, ao reivindicar a palavra para um militar, caso um familiar de vítima da ditadura tivesse falado – que infelizmente terminou por impedir que o familiar falasse, equívoco grave cometido pelo governo -, revela as resistências de fora e de dentro do próprio governo, para os trabalhos da Comissão.
O que conquistamos foi um espaço, no qual se desenvolverá uma disputa, sobretudo sobre a interpretação do que foram o golpe de Estado de 1964 e a ditadura militar. Há setores militares que ainda mantem a versão de que o golpe foi para “salvar o pais da subversão”, há outros que defendem a teoria de equidistância da democracia entre os que a assaltaram e destruíram e os que resistiram a isso.
A primavera é assim um avanço na conquista de um espaço para o estabelecimento da verdade. Ela continuará até que a verdade seja reconhecida oficialmente e os resultados da Comissão sejam entregues à Justiça. Teremos avançado para superar a anomalia da anistia, que incluiu o crime imprescritível – segundo documentos do direito internacional, assinados pelo próprio Brasil – da tortura. Aí sim, teremos passado a limpo o nosso passado recente e teremos estabelecido critérios que fortalecem e ampliam a democracia no Brasil.
Fonte: Blog do Emir - http://migre.me/6dYUH
Quando finalmente ia se votar na Camara o projeto de lei da Comissão da Verdade, dissemos aqui que se abria a primavera dos direitos humanos. O projeto já foi aprovado também no Senado e sancionado pela Dilma. As próprias condições do ato de sanção revelam como se trata apenas de um começo, da abertura de um espaço de disputa, que pode se ampliar e efetivamente não apenas cumprir com os objetivos que se propõem, como ir mais além, ou fracassar e frustrar mais uma vez a possibilidade de virar dignamente essa página triste da nossa história que foi a ditadura militar.
Os problemas não residem no prazo, nem no número de membros da Comissão. Nos outros países da região o numero dos componentes de comissões similares foi mais ou menos esse, o que interessa é a capacidade de ação, de mobilização e de coordenação que a Comissão tenha. Ela poderá contar com todas as pesquisas feitas até aqui, com a colaboração de grande quantidade de centros de pesquisas e de materiais já coletados e colocados à disposição da Comissão.
O prazo tampouco deve ser um problema, já que ela não começará do nada, sistematizará materiais já existentes e buscará preencher lacunas pendentes. A dedicação dos seus membros às suas funções pode permitir plenamente o cumprimento delas.
Provavelmente a Comissão não poderá elucidar o que não foi elucidado até aqui, mas sistematizará o que já foi investigado. Os arquivos em mãos dos militares, segundo eles, teriam sido destruídos. Nesse caso, a Comissão tem a responsabilidade inquirir sobre as responsabilidades dessa eventual desaparição e apontar os que teriam cometido esse crime de sonegação de informação essencial aos direitos humanos.
Muitos depoimentos, mesmo já conhecidos, permitirão reavirar a memória das brutalidades cometidas pela ditadura, assim como fazer conhecer a novas gerações como atuava o Estado do terror. O clima que possa gerar e os materiais acumulados – que deverão ser entregues à Justiça – podem propiciar as condições para rediscutir a anistia autoconcedida pelos militares.
Mas talvez o mais importante seja a versão oficial do Estado brasileiro sobre a ditadura militar, a ruptura da democracia e de um governo legitimamente eleito pelo povo, o Estado de terror que foi instalado, as barbaridades que cometeu, etc.
A tentativa de colocar, no mesmo nível, verdugos e vítimas, ao reivindicar a palavra para um militar, caso um familiar de vítima da ditadura tivesse falado – que infelizmente terminou por impedir que o familiar falasse, equívoco grave cometido pelo governo -, revela as resistências de fora e de dentro do próprio governo, para os trabalhos da Comissão.
O que conquistamos foi um espaço, no qual se desenvolverá uma disputa, sobretudo sobre a interpretação do que foram o golpe de Estado de 1964 e a ditadura militar. Há setores militares que ainda mantem a versão de que o golpe foi para “salvar o pais da subversão”, há outros que defendem a teoria de equidistância da democracia entre os que a assaltaram e destruíram e os que resistiram a isso.
A primavera é assim um avanço na conquista de um espaço para o estabelecimento da verdade. Ela continuará até que a verdade seja reconhecida oficialmente e os resultados da Comissão sejam entregues à Justiça. Teremos avançado para superar a anomalia da anistia, que incluiu o crime imprescritível – segundo documentos do direito internacional, assinados pelo próprio Brasil – da tortura. Aí sim, teremos passado a limpo o nosso passado recente e teremos estabelecido critérios que fortalecem e ampliam a democracia no Brasil.
Fonte: Blog do Emir - http://migre.me/6dYUH
Fernanda Mattos
Dilma anuncia investimentos para mobilidade urbana de Salvador
A presidenta Dilma Rousseff esteve na capital baiana, na tarde desta sexta-feira (18) e anunciou investimentos para a mobilidade urbana. O deputado estadual Marcelino Galo participou do evento, que contou também com as presenças de ministros, deputados federais, secretários e prefeitos, além do governador Jaques Wagner.
"Salvador tem hoje uma frota de 380 mil carros e o transporte público precisa ter mais qualidade. As obras do metrô são muito importantes para melhorar o dia-a-dia da população soteropolitana", comentou Galo. Mais de R$ 500 milhões serão investidos nas obras do metrô da capital que deverá ficar pronto até a Copa do Mundo, em 2014. As obras do primeiro trecho (Lapa-Acesso Norte) entrarão em funcionamento em abril de 2012, segundo o secretário da Casa Civil da Prefeitura, João Leão. Já o trecho Acesso Norte – Estação Pirajá deverá estar em operação até a Copa.
O governador comentou sobre a necessidade de obter recursos federais para obras no estado. "Não tenho dinheiro no orçamento para fazer essas obras. Elas precisam sem complementadas", disse. Ao todo serão aplicados cerca de R$ 2,5 bilhões no projeto, vindos do governo federal, iniciativa privada e Estado, para a construção das vias alimentadoras, que podem ser BRTs (Bus Rapid Transit) e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Fonte: http://elinalvabastos.blogspot.com/
A presidenta Dilma Rousseff esteve na capital baiana, na tarde desta sexta-feira (18) e anunciou investimentos para a mobilidade urbana. O deputado estadual Marcelino Galo participou do evento, que contou também com as presenças de ministros, deputados federais, secretários e prefeitos, além do governador Jaques Wagner.
"Salvador tem hoje uma frota de 380 mil carros e o transporte público precisa ter mais qualidade. As obras do metrô são muito importantes para melhorar o dia-a-dia da população soteropolitana", comentou Galo. Mais de R$ 500 milhões serão investidos nas obras do metrô da capital que deverá ficar pronto até a Copa do Mundo, em 2014. As obras do primeiro trecho (Lapa-Acesso Norte) entrarão em funcionamento em abril de 2012, segundo o secretário da Casa Civil da Prefeitura, João Leão. Já o trecho Acesso Norte – Estação Pirajá deverá estar em operação até a Copa.
O governador comentou sobre a necessidade de obter recursos federais para obras no estado. "Não tenho dinheiro no orçamento para fazer essas obras. Elas precisam sem complementadas", disse. Ao todo serão aplicados cerca de R$ 2,5 bilhões no projeto, vindos do governo federal, iniciativa privada e Estado, para a construção das vias alimentadoras, que podem ser BRTs (Bus Rapid Transit) e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Fonte: http://elinalvabastos.blogspot.com/