Pesquisa

Sobre mim

Informações Básicas

Sexo
Masculino
Idade
38
Sobre Mim
graduando em História, miltante do movimento cultural em Brasilia.

Informações de Contato

Celular
61-84410960
Estado
DF
Cidade
brasilia
País
Brazil
Website
http://www.fundacaoastrojildo.org.br

Formação

Último local de formação
faculdade Projeçåo
Ano de Formatura
cursando
Renato Martins

Renato Martins

Celso Daniel: dez anos e oito cadáveres depois. Ou: Bruno Daniel, Gilberto Carvalho e José Dirceu

Leia o comentário de Reinaldo Azevedo sobre um caso escabroso...

Nesta quarta, o seqüestro do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, completa dez anos. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Desde aquele dia, tem-se uma fila imensa de cadáveres e poucas respostas. A tese do Ministério Público é a de que Celso foi vítima de um crime de encomenda, desdobramento de um esquema instalado na própria Prefeitura, coordenado por ele, destinado a desviar recursos para o PT. Membro do grupo, Sérgio Sombra, amigo pessoal do prefeito, é acusado de ser o mandante.

Até agora, o único condenado é Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos. O julgamento aconteceu no Fórum de Itapecerica da Serra. Adriano Marreiro dos Santos, seu advogado, diz que seu cliente confessou sob tortura. O Ministério Público reuniu evidências de que ele dirigiu um dos carros que abalroou a picape em que Celso estava, encomendou o roubo de outro veículo que participou da operação e conduziu a vitima da favela Pantanal, em Diadema, para Juquitiba, onde foi assassinada.

Bruno Daniel, um dos irmãos de Celso, afirma que, no dia da Missa de Sétimo Dia, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência do governo Dilma, confessou que levava dinheiro do esquema montado na Prefeitura para a direção do PT. Carvalho lhe teria dito que chegou a entregar R$ 1,2 milhão ao então presidente do partido, José Dirceu. Carvalho e Dirceu negam. Bruno e sua família são os únicos brasileiros na França que gozam do estatuto oficial de “exilados”. Tiveram de deixar o país, ameaçados de morte. Francisco, o outro irmão, também teve de se mandar. Eles não aceitam a tese de que o irmão foi vítima de crime comum.

O ressentimento de Bruno - ele e a mulher eram militantes do PT - com o partido é grande. Ele acusa os petistas de terem feito pressão para que a morte fosse considerada crime comum. Outro alvo seu é o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido. Greenhalgh acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes em relato feito à família. A tortura é um indício de que os algozes do prefeito queriam algo mais do que seqüestrá-lo para obter um resgate, o que nunca foi pedido. Por que Greenhalgh afirmou uma coisa, e o legista, outra? Difícil saber: no dia 12 de outubro de 2005, Printes foi encontrado morto em seu escritório. A perícia descartou morte natural e não encontrou sinais de violência. A hipótese de envenenamento não se confirmou. Não se sabe até agora o motivo.

Todos os mortos

A lista de mortos ligados ao caso impressiona. Além do próprio Celso, há mais sete. Um é o garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do seqüestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do seqüestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranqüilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

Vinte dias depois da morte de Oliveira, Paulo Henrique Brito, a única testemunha desse assassinato, foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Rédua foi assassinado com dois tiros quando estava trabalhando. Rédua foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada e chamou a polícia.

Dionízio Severo, detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do seqüestro. Foi recapturado. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do seqüestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes. Perderam a conta? Então anote aí:

1) Celso Daniel: prefeito: Assassinado em janeiro de 2002.
2) Antonio Palacio de Oliveira: garçom. Assassinado em fevereiro de 2003
3) Paulo Henrique Brito: testemunha da morte do garçom. Assassinado em março de 2003
4) Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado - dezembro de 2003
5) Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado - abril de 2002
6) Sérgio Orelha:Amigo de Severo: Assassinado em 2002
7) Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003.
8 ) Carlos Delmonte Printes:legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005.

PS: Evitem acusações nos comentários, ainda que a vontade seja grande, ok?

Por Reinaldo Azevedo
- há 1 mês atrás
  • Relevância
  • Membro desde
  • Quarta, 27 Julho 2011 14:34
  • Última visita no site
  • menos de um minutoatrás
  • Visualizações de perfil
  • 789 visualizações
  • Celso Daniel: dez anos e oito cadáveres depois. Ou: Bruno Daniel, Gilberto Carvalho e José Dirceu

    Leia o comentário de Reinaldo Azevedo sobre um caso escabroso...

    Nesta quarta, o seqüestro do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, completa dez anos. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Desde aquele dia, tem-se uma fila imensa de cadáveres e poucas respostas. A tese do Ministério Público é a de que Celso foi vítima de um crime de encomenda, desdobramento de um esquema instalado na própria Prefeitura, coordenado por ele, destinado a desviar recursos para o PT. Membro do grupo, Sérgio Sombra, amigo pessoal do prefeito, é acusado de ser o mandante.

    Até agora, o único condenado é Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos. O julgamento aconteceu no Fórum de Itapecerica da Serra. Adriano Marreiro dos Santos, seu advogado, diz que seu cliente confessou sob tortura. O Ministério Público reuniu evidências de que ele dirigiu um dos carros que abalroou a picape em que Celso estava, encomendou o roubo de outro veículo que participou da operação e conduziu a vitima da favela Pantanal, em Diadema, para Juquitiba, onde foi assassinada.

    Bruno Daniel, um dos irmãos de Celso, afirma que, no dia da Missa de Sétimo Dia, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência do governo Dilma, confessou que levava dinheiro do esquema montado na Prefeitura para a direção do PT. Carvalho lhe teria dito que chegou a entregar R$ 1,2 milhão ao então presidente do partido, José Dirceu. Carvalho e Dirceu negam. Bruno e sua família são os únicos brasileiros na França que gozam do estatuto oficial de “exilados”. Tiveram de deixar o país, ameaçados de morte. Francisco, o outro irmão, também teve de se mandar. Eles não aceitam a tese de que o irmão foi vítima de crime comum.

    O ressentimento de Bruno - ele e a mulher eram militantes do PT - com o partido é grande. Ele acusa os petistas de terem feito pressão para que a morte fosse considerada crime comum. Outro alvo seu é o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido. Greenhalgh acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes em relato feito à família. A tortura é um indício de que os algozes do prefeito queriam algo mais do que seqüestrá-lo para obter um resgate, o que nunca foi pedido. Por que Greenhalgh afirmou uma coisa, e o legista, outra? Difícil saber: no dia 12 de outubro de 2005, Printes foi encontrado morto em seu escritório. A perícia descartou morte natural e não encontrou sinais de violência. A hipótese de envenenamento não se confirmou. Não se sabe até agora o motivo.

    Todos os mortos

    A lista de mortos ligados ao caso impressiona. Além do próprio Celso, há mais sete. Um é o garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do seqüestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do seqüestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

    Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranqüilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

    Vinte dias depois da morte de Oliveira, Paulo Henrique Brito, a única testemunha desse assassinato, foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Rédua foi assassinado com dois tiros quando estava trabalhando. Rédua foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada e chamou a polícia.

    Dionízio Severo, detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do seqüestro. Foi recapturado. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

    O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do seqüestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes. Perderam a conta? Então anote aí:

    1) Celso Daniel: prefeito: Assassinado em janeiro de 2002.
    2) Antonio Palacio de Oliveira: garçom. Assassinado em fevereiro de 2003
    3) Paulo Henrique Brito: testemunha da morte do garçom. Assassinado em março de 2003
    4) Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado - dezembro de 2003
    5) Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado - abril de 2002
    6) Sérgio Orelha:Amigo de Severo: Assassinado em 2002
    7) Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003.
    8 ) Carlos Delmonte Printes:legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005.

    PS: Evitem acusações nos comentários, ainda que a vontade seja grande, ok?


    Por Reinaldo Azevedo
    profile há 34 dias
  • Renato Martins criou um novo post Sem oposição em Internet
    Por Merval Pereira A incapacidade de o PSDB se articular minimamente para exercer o papel que lhe cabe como maior partido oposicionista brasileiro resulta em uma apatia política perigosa, que não faz nada bem à democracia. A mais recente dem ...
    com_easyblog há 35 dias
  • Santa Dica, a messiânica revolucionária de Goiás
    Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 25 de novembro de 1989
    Afinal quem foi Dona - ou Santa - Dica, esta personagem messiânica, totalmente ignorada na história oficial, mas que teve uma presença forte ao menos durante 20 anos na vida de Goiás? Benedita Cipriano Gomes quando tinha apenas 13 anos já sentiu manifestarem-se seus dons proféticos e milagrosos, atraindo ao pequeno povoado de Lagoa (hoje Lagolândia), onde nasceu, um número cada vez maior de peregrinos que passaram a vê-la como Santa. A menina Dica, roceira de rara beleza, vinda de uma família de camponeses, tornar-se-ia líder do único movimento messiânico do Centro-Oeste. Em apenas dois anos (1923-1925) o povoado de Lagoas se firmou como comunidade e Santa Dica, em pouco, se tornou forte influência política da região - como aconteceria com Antônio Conselheiro em Canudos e os monges na região do Contestado. Às margens do Rio dos Peixes - chamado de Rio Jordão "por ser milagroso" - a menina Dica realizou suas primeiras curas e transmitiu a seu povo o "recado dos anjos". Ali, desde as primeiras horas da luz do dia, a comunidade formava um mutirão na terra ao som de cânticos de trabalho. Para garantir-se a subsistência e a segurança, a partir de suas necessidades, pregava-se no reduto a igualdade, a luta pela abolição dos impostos e a distribuição de terras sob o lema "A terra é de Deus". Pela sua condição de líder, Santa Dica passou a ser utilizada nos primeiros tempos pelos chefes políticos da região. O seu poder e a evolução de sua comunidade, porém, despertaram atenções e causaram preocupações à classe dominante. Crescia o desejo de independência de Dica e sua comunidade, e os peregrinos sentiam-se seguros com a profeta adolescente. Assim a comunidade foi orientada pelas resoluções de Santa Dica, que seriam tomadas a partir de seus "encontros" com os anjos, durante seus transes. Após uma dessas "conferências", ela resolveu organizar os camponeses, formando o exército do povo, e os dirigentes através da ordem "pé-com-palha, pé-sem-palha", solução que encontrou, colocando uma palha de milho num dos pés de cada um, pois ninguém sabia o que era direita, esquerda. Em 1924, por ordem do governador de Goiás, Miguel da Rocha Lima, o comandante da Polícia Militar convocou Santa Dica a reunir voluntários, com a missão de interromper a entrada da Coluna Prestes - que se dirigia a Bolívia - pelo Estado de Goiás. Ela seguiu, levando aliados da Polícia Militar que também estavam sob seu comando, em direção a Anápolis, por onde passaria o grupo liderado por Siqueira Campos. O encontro se daria na segunda noite de espera. Santa Dica, deslocada da tropa, é pega de surpresa pelas tropas de Siqueira Campos, que já a conhecia de fama. Acabaram fazendo uma aliança, porém sob as vistas de um soldado que desertou e se deslocou à Capital para transmitir o ocorrido. Quando Santa Dica retornou ao reduto da Lagoa, seu povo foi desarmado e a Polícia Militar seguiu para a Capital. Em seguida, chegou ao reduto um coronel da Polícia Militar de Jaraguá, com a intenção de investigar os acontecimentos, além de testar os poderes da messiânica líder. Durante os "transes" ele lhe enfiava alfinetes e a queimava com cigarros acesos, sem que ela manifestasse dor. Manuelzinho Careado, braço direito de Dica, desconfiou daquele estranho e o expulsou. O coronel então, começou a incentivar os latifundiários da região para que o governo interviesse e tomasse medidas imediatas contra o reduto de Santa Dica - antes que ali se registrasse "um novo Canudos". Numa madrugada de 1925, um batalhão da PM cercou Lagoas, disparando as metralhadoras. O tiroteio durou 2 horas e quarenta minutos e ao amanhecer Santa Dica conduziu a comunidade na travessia do Rio Jordão, naquela época muito cheio devido às chuvas. Na forte correnteza, velhos inválidos e crianças se jogaram, sendo arrastados pelas águas. No relatório da polícia ficou escrito que "todos haviam se afogado". Mas os dias passavam e não apareciam os corpos. Vasculhou-se a região e foram encontrados os peregrinos sobreviventes. Todos foram levados à cadeia na cidade de Goiás Velho, onde permaneceram, junto com Santa Dica, nove meses, presos sem julgamento. O potiguar Mário Mendes, repórter do "Correio da Manhã", se interessou pelos fatos - que tiveram pequenos registros na imprensa carioca e foi para Goiás, integrando-se tanto na questão que se tornaria defensor de Santa Dica em seu julgamento. Absolvida, ela foi expulsa do Estado, considerada persona non grata. Foi com Mário Mendes para o Rio de Janeiro (sem confirmação, fala-se de que teria chegado a São Paulo e ali conhecido a pintora Anita Mafaldi, do movimento modernista). Mais tarde, solicitou ao governador Brasil Ramos Caiado, que havia assumido em 14/07/1925, autorização para retornar a Goiás. Junto veio Mário Mendes, que acabou sendo eleito prefeito de Pirenópolis, graças principalmente à influência que Santa Dica exercia. Com a revolução de 1930, Santa Dica foi intimada pelo governador de Goiás e colaborar com o Estado apoiando o governo de Washington Luís. Mas, nesta época, sofria já a influência do ambicioso marido. Posteriormente, voltaria ao reduto da Lagoa recomeçando suas atividades místicas e o trabalho da terra com a comunidade. Na revolução constitucionalista de 1932, teve nova participação. Com patente de Capitão (nestas alturas tinha 23 anos de idade), apoiou Getúlio Vargas. Formou uma companhia de 150 homens autorizados a usarem fardas do exército e que se incorporaram ao Departamento Manoel Ravello em operações de guerra do batalhão goiano "Siqueira Campos", acantonado em Uberlândia, Minas Gerais. A partir dos anos 30, Santa Dica se dedicaria especialmente ao lado do curandeirismo. Em 1937, Mário Mendes, por intriga dos latifundiários, foi deposto da Prefeitura de Pirenópolis - e viveria no anonimato até 1963, quando morreu de velhice. Santa Dica faleceria 17 anos depois, em 9 de novembro de 1970 - tão pobre como sempre foi. A seu pedido, está enterrada em frente à sua casa em Lagoa, debaixo de uma velha gameleira. LEGENDA FOTO - Nas filmagens de "Santa Dica", uma bela seqüência feita às margens do Rio Jordão (Foto Rubens Rebouças).
    profile há 36 dias
  • Renato Martins adicionou um novo comentário no álbum Fotos de Renato Martins
    Agenda 2012 - 90 Anos do PCB/PPS disponivel na LOJA FAP. Confira! http://www.fundacaoastrojildo.org.br/imagem/agenda2012.html
    albums há 37 dias
  • Renato Martins adicionou uma nova foto no álbum Fotos de Renato Martins
    • agenda2012
    photos há 37 dias
  • Brasilia chora a a morte de seu Teodoro

    O mestre da cultura popular e do Bumba-meu-boi no DF e no Brasil, Seu Teodoro Freire, faleceu às 3h20 desta madrugada (15-01-2011) no Hospital Santa Helena, em Brasília. Ele estava com 91 anos e sofria de enfisema pulmonar, e já há alguns dias vinha resistindo bravamente aos revezes das saúde debilitada. Ele conseguiu, ainda em vida, a honra e o merecido reconhecimento de receber das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do também então Ministro da Cultura Gilberto Gil, a Ordem do Mérito Cultural tornando-se uma grande referência de cultura popular na cidade e sendo reconhecido o trabalho dele como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Seu Teodoro foi convidado no início dos anos 60 por Darcy Ribeiro (UnB) e Ferreira Gullar (Fundação Cultural do DF) a se mudar com a família para Brasília.

    “Ele será cremado nesta segunda-feira (16-01) e já estamos providenciando os detalhes de seu velório”, informou consternado um dos filhos dele, Guarapiranga Freire, que nos últimos anos tem assumido a responsabilidade em continuar com o trabalho cultural do Bumba-meu-boi e do Tambor-de-Crioula de Seu Teodoro.

    No último dia 10 foi aberto o período de festejos de São Sebastião, que iria até o próximo dia 20. “Com o falecimento de meu pai, teremos que cancelar toda nossa programação deste mês. Não há o menor clima de continuarmos com as festividades agora. Ficou um vazio muito grande”, explicou Guarapiranga Freire.

    Sonhos não realizados

    Seu Teodoro Freire, como idealista e grande sonhador, partiu sem conseguir realizar alguns de seu maiores sonhos: o primeiro e maior, era a construção da nova sede do Centro de Tradições Populares. “Esse sonho, lutaremos para tentar realizar e dependemos da garantia de recursos junto ao Governo do Distrito Federal e da iniciativa privada. Pena que não conseguimos realizá-lo em 2013, dentro das comemorações do cinquentenário do Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula de Seu Teodoro. Chegamos até a lançar o projeto arquitetônico das novas instalações do Centro de Tradições Populares”, relembrou Guarapiranga Freire. Segundo ele, os objetivos da nova sede são: a manutenção deste Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Distrito Federal, promoções de intercâmbio cultural entre Brasília -DF / Maranhão, entre outras unidades da federação, e ainda uma parceria planejada para atender os anseios da comunidade do Distrito Federal, com atenção especialmente voltada para as Escolas Públicas e Zonas rurais. “ Esse espaço em Sobradinho, que abriga todas as festas maranhenses, será transformado em museu quando o novo edifício for construído”, promete Guarapiranga Freire.

    Outras paixões não realizadas de Seu Teodoro eram aparentemente ainda mais difíceis: a construção, em pleno Planalto Central, de um clube de regatas do Flamengo e uma versão local da Estação Primeira de Mangueira, a escola de samba do coração dele.

    Seu Teodoro Freire

    Seu Teodoro chegou à cidade em 1962, trabalhou na Unb, criou o Centro de Tradições Populares e seguiu mantendo viva a cultura do Bumba meu boi na cidade

    O maranhense Teodoro Feire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu na pequena cidade de São Vicente Ferrer, localizada a 280 km de São Luís (MS), em 1920. Desde os oito anos era apaixonado pelo cultura popular e dedica-se à tradição de sua região: o Bumba meu boi e outras paixões como o time de futebol Flamengo e sua escola de Samba, a Mangueira. Ele sempre usava um chapéu de palha com tira vermelha e preta, referência à paixão pelo time rubro-negro carioca. “Sempre recordo do dia que ganhei meu chapéu de palha, com uma tira preta, de um estudante da Universidade de Brasília. Depois, tive que colocar a fita vermelha já que não uso o preto sem o vermelho junto”, gostava de falar.

    Quando menino, em épocas festivas, saía às escondidas para acompanhar os cantadores e as toadas de boi, escondido da sua mãe. Passou uma temporada no Rio de Janeiro até chegar em Brasília, em 1962.

    Assim que chegou à capital do Brasil, foi trabalhar na Universidade de Brasília e após um ano criou o Centro de Tradições Populares, em Sobradinho, com o intuito de difundir e levar adiante as festas e danças dessa importante manifestação da cultura e folclore brasileiro. “É importante manter a dança do boi viva para as novas gerações”, gostava de defender.

    A primeira apresentação e visita à cidade aconteceu mesmo antes de morar em Brasília. Foi no primeiro aniversário da cidade, quando veio para fazer uma apresentação. Encantou-se com o Planalto Central e veio para ficar.

    O Centro de Tradições Populares, no começo, era bem simples, feito de paredes de taipa, chão de terra batida e teto de palha. Hoje, tem uma boa estrutura e reúne cerca de 75 integrantes onde faz apresentações de bumba-meu-boi, de Tambor-de-Crioula e comemora as festas de São Sebastião, São Lázaro e da Matança do Boi (essa há 49 anos). Houve também o Encontro-de Bumba-meu-Boi realizado na Funarte, em homenagem ao sempre empolgado mestre.
    profile há 37 dias
  • Luiz Werneck Vianna: novos paradigmas.

    “Do que se poderia caracterizar, como no diagnóstico da [filósofa] Nancy Fraser, de um paradigma keynesiano-westfaliano. Estamos indo para um mundo onde temas centrais da vida moderna são tratados por organismos que exercem jurisdição internacional, por exemplo os que mexem com economia, meio ambiente e terrorismo. Exemplo forte é o da Justiça internacional, com o Tribunal Penal, acima dos Estados nacionais. É uma época de inovação, de criação.

    Esse deslizamento está acontecendo numa escala mundial. O Estado-nação perde força. E as ideologias, comportamentos e atitudes que vieram com ele vêm se esmaecendo. Mas no segundo mandato de Lula, houve uma mirada no retrovisor. Foi um momento de forte adesão ao paradigma keynesiano-westfaliano, no momento em que esse paradigma no mundo perde força.

    Houve um retorno a um repertório dos anos 30, do Estado Novo, do regime militar, do "Brasil país grande potência". O tema [westfaliano] da grandeza nacional foi um retorno quanto à política do regime militar, especialmente a do governo Geisel. Esse eixo Getulio-JK-regime militar se projetou inteiro no segundo mandato de Lula. Isso envolvendo políticas e valores do nacional-desenvolvimentismo. [O economista] Celso Furtado [1920-2004] foi guindado a uma figura ícone do governo. Agora mesmo, um navio importante recebeu o nome dele. Na política externa, teve acompanhamento, especialmente, nas relações com o mundo árabe, América Latina... Para não falar da forte "estatalização" do movimento sindical.”

    Luiz Werneck Vianna, sociólogo, professo-pesquisador da PUC-Rio. Entrevista: "Dilma será constrangida à infidelidade". Valor Econômico, 10/1/2012.
    profile há 37 dias
  • Artigo de Roberto Freire para o jornal Brasil Econômico


    Há algo terrivelmente familiar no rastro das chuvas que varrem o Rio de Janeiro e Minas Gerais, bem como na seca que devasta a Região Sul atualmente: sua previsibilidade.

    Faz algum tempo que o Brasil enfrenta o aumento de ocorrência de desastres naturais, com um padrão de destruição e fatalidade sem precedentes.

    Foi o Furacão Catarina que em 2004 deu o tom da mudança climática que estamos experimentando, quando, em Santa Catarina, destruiu 1.500 casas e fez milhares de desabrigados; em 2008, no mesmo estado, outra tempestade arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, uma centena de mortes, 19 desaparecimentos, e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros.

    Em janeiro de 2010, a mesma coisa pôde ser percebida no Rio de Janeiro, uma chuva varreu cidades inteiras em sua região serrana, como Teresópolis e Friburgo, com mais de mil mortos e desaparecidos e milhões de reais em prejuízo econômico para empresas e famílias.

    A resposta do governo federal foi a omissão, pois desde o governo Lula vem anunciando planos mirabolantes para "prevenção de tragédias", para consumo meramente propagandístico, e absolutamente nada foi feito ou teve consequências práticas.

    Como denunciou o secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, quando admitiu que o governo federal falou mais do que fez e poderia ter evitado a tragédia de 2010.

    Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que somente 13% dos recursos gastos pelo governo federal em ações da Defesa Civil foram investidos na prevenção de desastres naturais, como deslizamentos de terra, enchentes e seca, no período de 2006 a 2011.

    Quando confrontado com as necessidades reais do povo brasileiro, o governo do PT só o trata bem em sua farta propaganda.

    Os pequenos "apagões" diários de energia elétrica que transtornam a vida dos cidadãos, nas mais diversas regiões do país, a total ausência de uma efetiva política de combate à dengue, por exemplo, as questões que envolvem o risco direto de vidas preciosas, como um sistema integrado de monitoramento de catástrofes provenientes das chuvas em nossas cidades, que a cada ano, quase na mesma época, infelicitam tantas famílias, somadas a uma precária infraestrutura urbana, explicam o que assistimos nos últimos dias no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

    E, mais uma vez, a velha pantomima da presidente Dilma se repete. Reuniu ministros, muitos dos quais, como ela, estavam em férias, para providenciar planos que já deveriam ter sido executados. Nos falta um governo que previna, que planeje e que respeite seu povo.

    Assistimos pasmos ao resultado de quase dez anos de gestão Lulo-petista que sempre buscou se notabilizar por sua excelência, e na propaganda isso beira a perfeição, mas o que temos efetivamente é a velha cantilena das tragédias anunciadas.

    ----------------------------------------------------------
    Roberto Freire é deputado federal e presidente do PPS
    profile há 40 dias
  • Eduardo Tavares Dias
    Admito um Supremo Tribunal Federal comprometido, medíocre, de perfil colonialista, embora as fileiras do nosso Judiciário abriguem magistrados da qualidade do Drs.Ciro Darlan, Joaquim Barbosa e Julio de Sanctis; admito um Legislativo considerado como o pior da história de nossa triste República: admito um Executivo ocupado, desde 1960, por presidentes medíocres, exceção ao presidente Itamar Franco. Não admito e me revolto quando trabalhadores/as declaram que apesar de terem ficado uma noite inteira em claro, numa fila, para conseguir um vagas para seus filhos na rede pública de ensino primário, não as conseguiram. O correto, o decente, o digno e racional é termo vagas sobrando e não faltando. Recursos temos, nos falta responsabilidade, seriedade, racionalidade e patriotismo. Todos nós sabemos, é consenso que sem educação de qualidade e com vagas para todos agora, ficaremos submissos “sine die” à essa estrutura regida por disposições constitucionais ultrapassadas e nocivas. Continuar tergiversando, creditando ao “cultural” os nossos descalabros, é omissão, covardia. Assim, por atuais, faço minha as palavras de Astrogildo Pereira:
    “É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Entre outras razões, porque não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos”

    Eduardo Tavares Dias
    Cel.: 22 9956 0993
    profile há 40 dias
  • A nova vanguarda do atraso :: José Serra

    O desempenho da economia brasileira em 2011 foi modesto: o PIB cresceu menos de 3%, a segunda pior performance desde 2004. O freio da economia foi a indústria de transformação, que permaneceu estagnada.

    A produção de bens de consumo durável declinou quase 2%. Pior foi o caso dos não duráveis: no ramo têxtil, a produção caiu 15%; em calçados e artigos de couro, -10%; no vestuário, -3,3%. De fato, o setor industrial anda de lado, ou, dependendo de onde, para trás. Até hoje não retomou o nível de produção anterior à crise de 2008-2009.

    O leitor pode perguntar-se: como é possível isso, se o consumo nos últimos anos aumentou tão rapidamente? Desde 2007 as vendas a varejo cresceram perto de 40% reais; em 2011, 5%.

    A resposta é simples: crescem vertiginosamente as importações de produtos manufaturados. O déficit da balança comercial da indústria de transformação em 2011 (janeiro/novembro) cresceu 37% em relação a 2010, chegando a US$ 44 bilhões! Em 2006 a balança era superavitária em US$ 30 bilhões. Assim, boa parte dos empregos gerados pela febre de consumo dos últimos anos foi para o exterior.

    Há uma desindustrialização em marcha no Brasil. Além do encolhimento do setor em relação ao PIB (faz mais de uma década), há uma desintegração crescente de cadeias produtivas, tornando algumas atividades industriais parecidas com as "maquiadoras" mexicanas.

    Mas atenção! Os produtos manufaturados que importamos não são mais baratos e os que exportamos, mais caros porque a indústria brasileira seja mais ineficiente que a chinesa ou a coreana, embora, pouco a pouco, num círculo vicioso, isso possa ocorrer. A explicação principal é o elevado custo sistêmico da economia brasileira.

    Primeiro, a carga elevada e distorcida de impostos sobre a indústria. Um exemplo simples: de cada R$ 1 do custo do kw de energia elétrica, R$ 0,52 vão para tributos e encargos setoriais!

    Segundo, a péssima infraestrutura. O governo federal destina pouco para investir e investe pouco daquilo que destina, em razão de falta de planejamento, prioridades e capacidade executiva. O País realiza um dos menores investimentos públicos do mundo como fração do PIB. Mais ainda, por causa desses fatores, acrescidos de populismo e preconceitos, os governos do PT não conseguiram fazer parcerias amplas com o setor privado na infraestrutura.

    Há uma terceira condição decisiva para a desindustrialização: a persistente sobrevalorização da moeda brasileira ante as moedas estrangeiras - cerca de 70% desde 2002, segundo estimativa de Armando Castelar. Isso aumenta fortemente os custos brasileiros de produção em dólares, dos salários à energia elétrica.

    Isoladamente, a sobrevalorização é o fator mais importante que barateia nossas importações e encarece as exportações de manufaturados. Levá-la em conta ajuda a compreender por que temos o Big Mac mais caro do mundo e os nossos turistas em Nova York, embora em menor número que os alemães e os ingleses, gastam mais do que estes dois somados.

    Economistas e jornalistas de fora do governo falam contra a ideia de existir uma política específica para a indústria. Opõem-se à teoria e à prática de uma política industrial, que, segundo eles, geraria distorções e injustiças. Já o pessoal do governo e seus economistas falam enfaticamente a favor da necessidade e da prática de política industrial. Nessa discussão se gastam papel, tempo de TV a cabo e horas de palestras.

    É uma polêmica interessante, mas surrealista, pois não existe de fato uma política econômica abrangente e coerente, de médio e de longo prazos, que enfrente as causas da perda de competitividade da indústria. O programa Brasil Maior? Faltam envergadura e capacidade de implantação, sobram distorções. E a anarquia da política de compras de máquinas e equipamentos para a área do petróleo ou a confusão dos critérios de crédito subsidiado do BNDES, têm alguma racionalidade em termos uma política industrial? Nenhuma!

    Alguém poderia questionar: "E daí? Qual é o problema de o Brasil se desindustrializar? Temos agricultura pujante, comércio próspero e outros serviços se expandindo. Tudo isso gera empregos e renda. Devemos seguir comprando mais e mais produtos industriais lá fora, pois dispomos dos dólares para tanto: vendemos minérios e alimentos e recebemos muitos investimentos externos".

    Desde logo, nada contra sermos grandes exportadores de produtos agrominerais. Os EUA fizeram isso no século 19 e em boa parte do século 20 e ainda viraram a maior potência industrial do planeta, expandindo ao máximo a exportação de manufaturas. A riqueza em commodities não é a causa necessária de retrocesso industrial. Pode, sim, ser fator de avanço. O retrocesso só existe porque os frutos dessa riqueza não estão sendo utilizados com sensatez e descortino.

    Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia.

    O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77.ª renda per capita e o 84.º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities.

    A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso.

    José Serra, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo

    FONTE: O ESTADO DE S. PAULO
    profile há 41 dias
  • groups juntou-se ao grupo Relações Internacionais
  • É a Constituição que deve ser lida nas escolas, e não a Bíblia, diz professor


    por Rogério Santos, professor, a propósito de
    Araguaína mantém lei que obriga leitura da Bíblia em escolas

    A Bíblia é uma coletânea de textos certamente importante para definir a nossa cultura de forte influência judaico-cristã. Estabelecer a obrigatoriedade de leitura dos textos bíblicos nas escolas, no entanto, pode ser considerado errado por diversos motivos.


    Primeiramente é ilegal, uma vez vai de encontro à Constituição que estabelece o Estado brasileiro como laico através do artigo 19, I. Esse artigo diz: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.” (grifos meus).

    Isso significa que práticas religiosas são um direito do cidadão, mas jamais devem ser estabelecidas pelo Estado como um dever. Ao obrigar professores a ler versículos bíblicos para os alunos, o poder público comporta-se como se houvesse religião oficial no país, o que não é verdade. Caso a lei passe a vigorar, o Estado passa a obrigar um funcionário público a participar de um rito religioso que não necessariamente é compatível com suas crenças pessoais, ferindo o princípio de liberdade religiosa.

    Além dessa questão legal, é uma falta de sensibilidade com pessoas de seguimentos religiosos discordantes do cristianismo. Ainda que a maioria da população seja cristã, não há justificativa para o poder público impor esse constrangimento a pais, alunos e professores que não sigam o cristianismo, já que a democracia não deve significar um domínio da maioria às custas do sofrimento de uma minoria mal representada.

    Creio que os cristãos estão familiarizados com a chamada regra de ouro que estabelece que "não se faça ao outro aquilo que não gostaria que fosse feito a si". Essa regra, que inclusive é representada nos evangelhos de Mateus (7: 12) e de Lucas (6: 31), deveria convidar os autores do projeto de lei e cristãos em geral a imaginar se gostariam que seus filhos fossem a escolas que os obrigassem a ouvir leituras do Corão, do livro dos espíritos ou do livro dos mórmons.

    Estariam os autores do projeto confortáveis em ser obrigados a ler esses livros diariamente em público caso fossem eles professores? É preciso um pouco mais de sensibilidade em relação às minorias para que estas não tenham seus direitos atropelados por uma maioria cega e egoísta. Ninguém gostaria de viver em um país assim.

    Outro motivo é em relação à adequação do material literário aos objetivos da educação. O texto bíblico é bastante inadequado às crianças por estas não terem suas capacidades de avaliação crítica plenamente desenvolvidas. As tendências infantis ao literalismo e à credulidade tornam as crianças especialmente vulneráveis a um conteúdo que elas não estão preparadas para elaborar.

    Embora a Bíblia possua ensinamentos interessantes a respeito do amor ao próximo, esses ensinamentos encontram-se afogados em descrições de Deus ordenando assassinatos seguidos de estupros (Juízes 21:10-24; Números 31:07-18; Deuteronômio 20:10-14), forçando vítimas de estupro a casarem com seus agressores (Deuteronômio 22:28-29), estabelecendo regras para vender sua filha como escrava (Êxodo 21:07-11), apoiando e estimulando a escravidão (Levítico 25:44-46) inclusive escravidão sexual (o já citado Êxodo 21:07-11) e estabelecendo pena de morte para vários "crimes", inclusive tocar o monte Sinai (Êxodo 19:12), ter um boi que matou uma pessoa (Êxodo 21:29), fazer sexo menstruada (Levítico 20:18), ser profeta de outro deus (Deuteronômio 18:20), levantar falso testemunho (Deuteronômio 19:19), ser adúltero (Levítico 20:10), não gritar quando se é estuprada! (Deuteronômio 22:24), desobedecer os pais (Deuteronômio 21:20) e blasfemar (Levítico 24:16). Uma criança diante da aceitação de Deus a tais práticas completamente absurdas e anacrônicas pode se encontrar confusa em questões morais.

    Em termos de adequação, seria muito mais interessante a leitura da Constituição brasileira ou da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Materiais à autoridade dos quais estamos todos submetidos.

    Por fim, não acho que os proponentes da lei agiram de má fé ou que intencionalmente queriam oprimir as minorias. Provavelmente seguiram um viés de pensar que, por estarem cercados de cristãos, a lei seria uma ideia interessante para todos.

    É importante, no entanto, que os representantes do poder legislativo respeitem a Constituição, cumprindo sua função com a atenção focada em todos e em cada um e não apenas na maioria dos eleitores.

    Rogério Santos é professor de psicologia da Universidade Federal do Tocantins. Esse texto foi publicado originalmente no Araguaína Notícias.

    Na escola, o respeito aos outros não pode ser amparado em divindade
    por Roseli Fischmann em março de 2011

    Religião no Estado laico.
    por Paulo Roberto Lopes às 04:28
    Marcadores: educação, estado laico, religião


    Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/01/e-constituicao-que-deve-ser-lida-nas.html#ixzz1jFmQGk9t
    Paulopes só permite a cópia deste texto para uso não comercial e com a atribuição do crédito e link.
    groups.wall há 41 dias
  • groups juntou-se ao grupo Educação Brasileira
  • É a Constituição que deve ser lida nas escolas, e não a Bíblia, diz professor

    Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/01/e-constituicao-que-deve-ser-lida-nas.html#ixzz1jFhZ0sv0
    Paulopes só permite a cópia deste texto para uso não comercial e com a atribuição do crédito e link.
    profile há 41 dias
  • Partidos se organizam para enfrentar as disputas municipais de outubro

    Bertha Maakaroun
    Publicação: 09/01/2012 07:43 Correio Braziliense :
    Com a temporada de baixas aberta no ano passado pelo PSD sobre as bases principalmente do PSDB, do PMDB, do PPS e do DEM, as legendas entram agora na fase de contabilizar o total de prefeitos e de vereadores que contam hoje para enfrentar as disputas municipais de outubro. Com quase 700 prefeitos, superando o PT, que saiu das urnas em 2008 como a terceira legenda que mais conquistou cidades, a “estrutura emprestada” dos vários partidos será a base com que o PSD introduzirá mais competição aos pleitos.

    A competição eleitoral tem sido crescentemente acirrada ao longo da última década, principalmente nas disputas proporcionais. Nelas é maior a presença do número de partidos nanicos. As pequenas legendas tendem a concorrer mais ao cargo de vereador do que ao cargo de prefeito em decorrência do maior custo das campanhas majoritárias.

    Para este ano, o discurso dos partidos é o mesmo: o alvo é eleger mais vereadores e mais prefeitos. Se para a disputa proporcional a tendência é de que os partidos continuem ampliando a participação nas cidades brasileiras, para a disputa majoritária, a grande novidade será a presença de um partido novo, que nasce mediano e com alguma estrutura para buscar financiamentos que tornem as suas candidaturas competitivas: o PSD.

    “O PSD conta com as estruturas que importou prontas”, avalia Roberto Brant, vice-presidente nacional do partido. Segundo o líder da bancada federal, Guilherme Campos (PSD-SP), a legenda conta hoje com aproximadamente 700 prefeituras e três mil vereadores em todo o país. “O balanço preciso, só teremos depois do carnaval”, avalia.

    De olho em 2014
    Da mesma forma que PMDB, PT, PSDB, PPS, DEM e PSD não sabem avaliar de que tamanho exato estão hoje, no plano municipal, a meta de todos os partidos é a mesma: conquistar mais prefeituras, preparando as bases para as disputas estaduais e presidencial de 2014.

    Este ano, no entanto, os grandes partidos precisam correr para não perder mais espaço. “Nossa meta é conquistar mil prefeituras e, para isso, logicamente, teremos de lançar mais candidatos em mais cidades”, afirma o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG). O PSDB lançou 1.777 candidatos próprios e conquistou 790 prefeituras em 2008, alcançando o segundo lugar em número de prefeitos eleitos, atrás do PMDB, que teve sucesso em 1.199 cidades onde disputou com a cabeça de chapa.
    profile há 44 dias
  • O historiador Ivan Alves Filho, membro do Diretório Nacional do PPS, vem elaborando, há algum tempo, um levantamento sobre a participação do PCB-PPS na construção da cultura brasileira.


    Uma homendagem ao nossos criadores culturais.

    O PCB-PPS e a cultura brasileira: apontamentos

    Por Ivan Alves Filho*

    “Aconteceu com demasiada frequência que, quando a História faz uma viragem brusca, até os partidos avançados não podem durante um tempo mais ou menos longo habituar-se à nova situação, repetem palavras de ordem que ontem eram corretas mas hoje perderam todo o sentido, perderam o sentido tão «subitamente» como «súbita» foi a brusca viragem da História ".
    (Vladimir Lênin, às vésperas da Revolução de 1917)(Astrojildo Pereira, ao definir as tarefas da inteligência brasileira, em 1945)
    "O PCB não se tornou o maior partido do Ocidente, nem mesmo do Brasil. Mas quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar dele. Ou estará mentindo”.
    (Ferreira Gullar, durante os 60 anos do PCB)



    (Dedicamos este trabalho aos intelectuais, artistas e escritores que deram o melhor de seus esforços à construção de uma cultura identificada com aquilo que o povo brasileiro tem de melhor, ou seja, a sua criatividade e alegria).

    I
    Em 1922, a sociedade brasileira vivia uma extraordinária efervescência cultural e política, materializada pela fundação do Partido Comunista, pela inauguração da Semana de Arte Moderna, pelo Primeiro Congresso Feminista e, também, pela explosão da Revolta do Forte de Copacabana. Um ano de cortar o fôlego. O Partido Comunista - cuja trajetória nos interessa mais de perto aqui - surge então com uma dupla característica. De um lado, trata-se de uma agremiação política que se quer profundamente brasileira, com a proposta de se entranhar nas lutas sociais e nacionais. De outro, apresenta um perfil internacionalista, profundamente solidário dos povos em luta. Além do que, é um partido que ambiciona governar para os setores menos favorecidos da população, com a classe operária à frente. E tudo isso é muito novo, para os padrões do país e para a época. Se o Partido obteve ou não êxito em sua função, trata-se de outro problema.

    Um dos herdeiros da tradição pecebista, no que ela possuía de positivo e também de negativo, o Partido Popular Socialista (PPS) dá continuidade histórica a algumas das propostas do PCB. Mas, de certa forma, sua entrada na cena brasileira também representa uma ruptura com determinadas práticas e mesmo concepções desse Partido. Pois o PPS compreendeu que a sociedade brasileira é plural, complexa, e que no caminho político nacional não há espaço para um modelo autoritário de partido único. E tampouco para exclusões de qualquer natureza. Nesse sentido, o Partido se quer continuidade, mas também mudança. Talvez até mais mudança do que continuidade, no entender de alguns.
    A cultura sempre aproximou o PCB-PPS da população brasileira. Nos tempos mais agudos da clandestinidade, ela chegou a ser, praticamente, a única forma de o Partido estabelecer um vínculo permanente com a sociedade organizada. Os comunistas não estão muito longe de ter uma concepção de cultura como uma espécie de estar no mundo, uma relação social entre indivíduos. Para os comunistas, a cultura é uma ferramenta de transformação do mundo real. E o homem, ator da sua própria história. Isso, em teoria. Mas a prática pecebista não apresenta nenhum corte entre o mundo real e a visão que se tem desse mesmo mundo. Prática e teoria como que se fundiram, nesse caso. A cultura une.
    Como explicar o engajamento político dos intelectuais e artistas brasileiros no Partido Comunista? Provavelmente não existe resposta única a essa pergunta. Certamente há por parte dos intelectuais uma postura generosa diante das mazelas sociais que afligem o país e um desejo de superá-las. Não há como negar tampouco que alguns deles enxergavam no socialismo uma possibilidade de realizar suas expectativas de trabalho, seus anseios profissionais, pelo menos de forma mais efetiva (apesar de, como observou o cientista político Paulo César Nascimento, muitos desses intelectuais e artistas já serem homens consagrados quando se aproximaram do PCB). Outros intelectuais e artistas, ainda, se sentiam atraídos pela possibilidade de contribuir para a formação da identidade brasileira. Ou talvez tudo isso junto, quem sabe.

    E convém salientar que os intelectuais – considerados por Antonio Gramsci como uma categoria cujo peso político ganhava autonomia em relação até mesmo às divisões de classes verificadas na sociedade burguesa – dificilmente se deixariam conduzir de forma subalterna pela direção partidária. Eis o que contribui, historicamente, para arejar o Partido, uma organização extremamente centralizada em alguns momentos de sua trajetória política. Nesse sentido, é interessante observar que a política cultural do Partido extrapola o próprio âmbito do Partido, ou seja, nada tinha de estreita, voltada para dentro. Em alguns momentos, é verdade, houve, atritos sérios com a intelectualidade nacional, mas o Partido compreenderia que era preciso respeitar a liberdade de criação dos artistas e intelectuais, sobretudo após os ventos libertários trazidos pela Declaração de Março de 1958, na esteira do desmoronamento do sistema stalinista. Assi, sua proposta cultural pleiteia, quase sempre, amplos setores da sociedade. A política cultural era encarada, ao menos em certos períodos da trajetória partidária, como uma política voltada para a sociedade e não para dentro do próprio Partido. E mais: era preparada ou estabelecida, sobretudo a partir de 1958, é sempre bom lembrar, pelos próprios criadores de cultura. Só assim o PCB (e, agora, o PPS, de certa maneira) pôde começar a se fazer necessário na cena cultural brasileira. O Partido nunca se apoderou da máquina do Estado, ou esteve no Poder, é bem verdade; mas talvez tenha construído algo melhor. Vale dizer, uma sólida relação com a chamada sociedade civil, que ele buscava oxigenar com suas ideias e proposições.
    Não seria muito complicado para O PCB estabelecer pontes entre a cultura elaborada pelos intelectuais e a prática política popular. Por uma razão: o Partido soube compreender, talvez instintivamente, que a síntese era a principal característica da cultura brasileira. Soube mover-se nesse ambiente.

    De toda forma, com vocação para lutar pela democracia, conforme se verificaria com o correr do tempo, o Partido Comunista Brasileiro daria uma contribuição importante à vida nacional. Senão vejamos. Foi o primeiro agrupamento a defender, já em 1923, aimplantação de uma reforma agrária entre nós (exigência essa que guarda ainda uma certa atualidade, ao menos no plano social). E foi também o primeiro a propor uma política relativamente ampla de alianças, conforme o atesta a formação do Bloco Operário Camponês (BOC, 1928) e da própria Aliança Nacional Libertadora (ANL, 1935). Isso, para não aludirmos à criação, em 1967, da Frente Ampla, uma tentativa de combater a ditadura militar. Mais: a partir da chamada Declaração de Março de 1958, o PCB elege a democracia como o espaço para a superação da ordem vigente no Brasil. Foi com essa firme determinação que a maioria do Partido optou por derrotar politicamente – e não derrubar pela força das armas – a ditadura político-militar instalada no país desde 1 de abril de 1964. Não deu outra, a História daria razão aos comunistas, apesar de o partido ter cometido alguns equívocos sériono decorrer de sua história.

    Não há exagero em afirmar que o Partido contribui para estruturar a cultura brasileira contemporânea, por intermédio de instrumentos como jornais, revistas, livros e grupos de teatro e cinema. Uma parte da identidade cultural brasileira (isto é aquilo que a caracteriza e diferencia das demais práticas culturais) ao longo do século XX é forjada aí, pelos setores mais criativos da militância partidária. Eis o que talvez explique a presença de nomes tão ilustres da intelectualidade e da criação artística brasileira no PCB-PPS. Essa ligação com a intelectualidade era tão próxima que a crise do PCB significou também, em certa medida, a crise da própria cultura brasileira. Parafraseando o poeta, é impossível escrever a história da nossa cultura sem falar no PCB - sob muitos aspectos, uma espécie de partido da inteligência brasileira.
    profile há 47 dias