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O que esperamos do Governo?

O que esperamos do Governo?
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Segunda, 05 Setembro 2011
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  • A Educação entre nós: do diagnóstico à solução, por Lucília Helena do Carmo Garcez

    Mais uma vez, o Brasil toma conhecimento dos resultados alarmantes das avaliações nacionais da educação, sempre em declínio. Há dez anos, o MEC vem avaliando a situação dos alunos no que se refere à leitura, compreensão de texto e matemática, ou seja, as habilidades fundamentais que constituem a base de qualquer crescimento intelectual posterior, por meio do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) . Entretanto, à prática da avaliação não tem correspondido o tratamento específico dos problemas detectados. É como ir ao médico, fazer os exames, chegar a um diagnóstico, mas não fazer o tratamento indicado para a doença. Naturalmente, quando de um outro diagnóstico a doença terá progredido. Assim, a deficiência em leitura está progredindo a passos largos, conforme comprovam os sucessivos diagnósticos. Os debates atuais a respeito da leitura estimulam e exigem uma reflexão mais profunda, com base em tudo que já se sabe sobre o processo de ler e compreender.

    Os programas de democratização da leitura, oficiais ou não, devem intensificar qualitativamente sua atuação, para fazer frente aos apelos imediatos de um mundo cada vez mais seduzido pela imagem, pela comunicação rápida, pela velocidade, e, ao mesmo tempo, devem ampliar quantitativamente os esforços para incluir parcelas cada vez maiores da população. Nesse percurso, muitas vezes descontínuo e cheio de obstáculos, qualquer iniciativa em direção ao estímulo à leitura deve envolver diversos agentes e diferentes segmentos sociais: famílias, escolas, professores, bibliotecários, especialistas, pesquisadores, editores, autores, meios de comunicação, instituições governamentais e não-governamentais.

    Se queremos socializar o direito à leitura, não apenas como correspondência entre sons e letras, mas como forma real de conhecimento, interpretação e compreensão do mundo e do ser humano, é imprescindível uma articulação contínua, intensa e harmoniosa entre esses atores. Isso porque o desenvolvimento da leitura, já sabemos há muito tempo, depende de: convívio contínuo com histórias, livros e leitores, desde a primeira infância; valorização social da leitura pelo grupo social; disponibilidade de acervo de qualidade e adequado aos interesses, horizontes de desejo e aos diferentes estágios de leitura dos leitores; tempo para ler, sem interrupções; espaço físico agradável e estimulante; ambiente de segurança psicológica e de tolerância dos educadores em relação ao percurso individual de superação de dificuldades; oportunidades para expressar, registrar e compartilhar interpretações e emoções vividas nas experiências de leitura; acesso à orientação qualificada sobre porque ler, o que ler, como ler e quando ler.

    Para aprofundar a reflexão relativa à natureza do ato de ler, é necessário considerar que se trata, simultaneamente, de uma experiência individual única e de uma experiência interpessoal profunda e intensa, um exercício dialógico ímpar, pois entre leitor e texto desencadeia-se um processo discursivo de decifração, interpretação, reflexão e reavaliação de conceitos absolutamente renovado a cada leitura.

    Não podemos doar a nossa leitura, mas podemos compartilhar a consciência do direito de ler, porque, assim como a linguagem, os direitos são construções sociais, estabelecidos e conquistados em conjunto, no coração das lutas sociais. Como não se luta pelo que não se conhece, é necessário dar a conhecer as infinitas possibilidades da leitura. A experiência da linguagem, e a da leitura especialmente, não é solitária, é um produto construído na interação em que os participantes atuam de forma ativa. Ela exige procedimentos mentais complexos que são construídos pela mediação do outro: o pensamento abstrato, a memorização, a atenção voluntária, o comportamento intencional, as ações conscientemente controladas, a generalização, as associações, o planejamento, as comparações, ou seja, as funções superiores da mente que nos fazem humanos, como afirma Vygotsky.
    groups.wall há 192 dias
  • Falta no Rio a invasão de cidadania, por Arnaldo Jardim

    O Brasil parou em frente à TV para assistir à ação policial militar de invasão do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. Diferentemente de outras incursões que pouco ou nada alteraram a relação de tolerância, conivência e cumplicidade existentes entre os agentes públicos e a marginalidade, desta vez as forças de segurança demonstraram planejamento, inteligência, integração e cuidado para evitar mortes de inocentes o que possibilitou o apoio dos moradores.

    Toneladas de entorpecentes, armas e munições, carros e motos, casas com piscinas e modernos eletroeletrônicos, evidenciaram uma vida de luxo dos traficantes, construída à base do terror e da ausência
    de quase três décadas do poder público nestas localidades, consideradas as regiões mais pobres da cidade do Rio de Janeiro.

    Agora, são 13 as comunidades que contam com as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Todavia, existem cerca de mil comunidades no Rio. Quero acreditar que este é apenas o começo de uma solução definitiva e não apenas um alívio imediato para mais de 20% da população carioca que vive nestas localidades, às margens
    do poder público, subjugadas por traficantes ou milicianos, condenadas à miséria, ao desemprego e à falta de condições mínimas de sobrevivência.
    groups.wall há 202 dias
  • Palavras finais, por Luiz Eduardo Soares

    “As polícias são instituições absolutamente fundamentais para o Estado Democrático de Direito. Cumpre-lhes garantir, na prática, os direitos e as liberdades estipulados na Constituição. Sobretudo, cumpre-lhes proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente à sociabilidade cooperativa e à vigência da legalidade e da justiça. A despeito de sua importância, essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea.

    O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento
    corretivo, inviável. Ineptas para identificar erros, as polícias condenam-se a repeti-los.

    Elas são rígidas onde teriam de ser plásticas, flexíveis e descentralizadas; e são frouxas e anárquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Polícia Civil, são duas instituições: oficiais e não oficiais; delegados e não delegados.E nesse quadro, a PEC-300 é varrida do mapa no Congresso pelos governadores, que pagam aos policiais salários insuficientes, empurrando-os ao segundo emprego na segurança privada informal e ilegal”.
    groups.wall há 202 dias
  • As polícias fluminenses e o tráfico de drogas, por Luiz Eduardo Soares

    Em primeiro lugar, a PM e a Polícia Civil, no estado do Rio como em todo o país, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos arregos celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios crueis.

    Ou seja, a polaridade polícia versus tráfico esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la, isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia, teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no
    Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. É só por isso que ainda existe tráfico armado, assim como as milícias.
    groups.wall há 203 dias
  • Medidas imediatas para sustar a violência e resolver o desafio da insegurança, por Luiz Eduardo Soares

    Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Quando se está na crise, usam-se os instrumentos disponíveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o açougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o tórax do moribundo na maca, no corredor. Não há como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia.

    Por isso, o primeiro passo capaz de não permitir que uma situação grave como a do momento se repita é preocupar-se em aperfeiçoar a segurança pública, no Rio e no Brasil, evitando a violência de todos os dias, assim como sua intensificação, expressa nas sucessivas crises. Se a sociedade, a mídia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extensão, como um fenômeno multidimensional a requerer enfrentamento sistêmico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto nação, a tratar do problema na perspectiva do médio e do longo prazos, nos condenaremos às crises, cada vez mais dramáticas, para as quais não há soluções mágicas.

    A melhor resposta à emergência é começar a se movimentar na direção da reconstrução das condições geradoras da situação emergencial. Quanto ao imediato, não há espaço para nada senão o disponível,
    acessível, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco.
    groups.wall há 203 dias

O que os brasileiros esperam do governo?! Atenção especial à saúde? Segurança? Um programa decente de combate à violência no trânsito? Verdadeira prioridade à educação?

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