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Educação Brasileira

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Sexta, 06 Janeiro 2012
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  • É a Constituição que deve ser lida nas escolas, e não a Bíblia, diz professor


    por Rogério Santos, professor, a propósito de
    Araguaína mantém lei que obriga leitura da Bíblia em escolas

    A Bíblia é uma coletânea de textos certamente importante para definir a nossa cultura de forte influência judaico-cristã. Estabelecer a obrigatoriedade de leitura dos textos bíblicos nas escolas, no entanto, pode ser considerado errado por diversos motivos.


    Primeiramente é ilegal, uma vez vai de encontro à Constituição que estabelece o Estado brasileiro como laico através do artigo 19, I. Esse artigo diz: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.” (grifos meus).

    Isso significa que práticas religiosas são um direito do cidadão, mas jamais devem ser estabelecidas pelo Estado como um dever. Ao obrigar professores a ler versículos bíblicos para os alunos, o poder público comporta-se como se houvesse religião oficial no país, o que não é verdade. Caso a lei passe a vigorar, o Estado passa a obrigar um funcionário público a participar de um rito religioso que não necessariamente é compatível com suas crenças pessoais, ferindo o princípio de liberdade religiosa.

    Além dessa questão legal, é uma falta de sensibilidade com pessoas de seguimentos religiosos discordantes do cristianismo. Ainda que a maioria da população seja cristã, não há justificativa para o poder público impor esse constrangimento a pais, alunos e professores que não sigam o cristianismo, já que a democracia não deve significar um domínio da maioria às custas do sofrimento de uma minoria mal representada.

    Creio que os cristãos estão familiarizados com a chamada regra de ouro que estabelece que "não se faça ao outro aquilo que não gostaria que fosse feito a si". Essa regra, que inclusive é representada nos evangelhos de Mateus (7: 12) e de Lucas (6: 31), deveria convidar os autores do projeto de lei e cristãos em geral a imaginar se gostariam que seus filhos fossem a escolas que os obrigassem a ouvir leituras do Corão, do livro dos espíritos ou do livro dos mórmons.

    Estariam os autores do projeto confortáveis em ser obrigados a ler esses livros diariamente em público caso fossem eles professores? É preciso um pouco mais de sensibilidade em relação às minorias para que estas não tenham seus direitos atropelados por uma maioria cega e egoísta. Ninguém gostaria de viver em um país assim.

    Outro motivo é em relação à adequação do material literário aos objetivos da educação. O texto bíblico é bastante inadequado às crianças por estas não terem suas capacidades de avaliação crítica plenamente desenvolvidas. As tendências infantis ao literalismo e à credulidade tornam as crianças especialmente vulneráveis a um conteúdo que elas não estão preparadas para elaborar.

    Embora a Bíblia possua ensinamentos interessantes a respeito do amor ao próximo, esses ensinamentos encontram-se afogados em descrições de Deus ordenando assassinatos seguidos de estupros (Juízes 21:10-24; Números 31:07-18; Deuteronômio 20:10-14), forçando vítimas de estupro a casarem com seus agressores (Deuteronômio 22:28-29), estabelecendo regras para vender sua filha como escrava (Êxodo 21:07-11), apoiando e estimulando a escravidão (Levítico 25:44-46) inclusive escravidão sexual (o já citado Êxodo 21:07-11) e estabelecendo pena de morte para vários "crimes", inclusive tocar o monte Sinai (Êxodo 19:12), ter um boi que matou uma pessoa (Êxodo 21:29), fazer sexo menstruada (Levítico 20:18), ser profeta de outro deus (Deuteronômio 18:20), levantar falso testemunho (Deuteronômio 19:19), ser adúltero (Levítico 20:10), não gritar quando se é estuprada! (Deuteronômio 22:24), desobedecer os pais (Deuteronômio 21:20) e blasfemar (Levítico 24:16). Uma criança diante da aceitação de Deus a tais práticas completamente absurdas e anacrônicas pode se encontrar confusa em questões morais.

    Em termos de adequação, seria muito mais interessante a leitura da Constituição brasileira ou da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Materiais à autoridade dos quais estamos todos submetidos.

    Por fim, não acho que os proponentes da lei agiram de má fé ou que intencionalmente queriam oprimir as minorias. Provavelmente seguiram um viés de pensar que, por estarem cercados de cristãos, a lei seria uma ideia interessante para todos.

    É importante, no entanto, que os representantes do poder legislativo respeitem a Constituição, cumprindo sua função com a atenção focada em todos e em cada um e não apenas na maioria dos eleitores.

    Rogério Santos é professor de psicologia da Universidade Federal do Tocantins. Esse texto foi publicado originalmente no Araguaína Notícias.

    Na escola, o respeito aos outros não pode ser amparado em divindade
    por Roseli Fischmann em março de 2011

    Religião no Estado laico.
    por Paulo Roberto Lopes às 04:28
    Marcadores: educação, estado laico, religião


    Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/01/e-constituicao-que-deve-ser-lida-nas.html#ixzz1jFmQGk9t
    Paulopes só permite a cópia deste texto para uso não comercial e com a atribuição do crédito e link.
    groups.wall há 130 dias
    antonio josé bianchi cerqueira entendo q a teologia ministrada de forma bem livre, destacando os mdcs entre as várias, as cosmogonias várias, a coisa explicada deste modo, pode bem servir à mente de nossas crianças q terão mais material para cosntruir sua visão de mundo.há 130 dias

O Grupo e o destina-se a discutir as políticas Educacionais no Brasil, e buscar apontar novos rumos e propostas de financiamento da Educação. Também é objetivo  auxiliar no objetivo de colocar a Educação como eixo central do combate a desigualdade e contribuir para um desenvolvimento humanista.

Sexta, 06 Janeiro 2012 by Nelson Soares Dos Santos

Thiago Peixoto, Marconi Perillo, o Sindicato e a Revolução na Educação que realmente precisamos.

Nelson Soares dos Santos

Preciso dizer antes de qualquer palavra deste artigo que desde 1998 sou um entusiasta apoiador do Governo Marconi Perillo. E que fui uma das vozes primeiras a defender o Governador por meio de artigos contra as investidas do então sucessor Alcides Rodrigues. A liderança de Marconi Perillo em Goiás, é incontestável e tem todas as condições para crescer e se consolidar como liderança nacional. Entretanto é preciso ter cuidado para não cometer erros, como foi o de eleger Alcides Rodrigues como sucessor no ano de 2006.

O grande problema do Governador Marconi no momento é o excesso de fidelidade dos seus assessores. Na verdade, confunde-se fidelidade é e lealdade com excesso de zelo e medo de desagradar o chefe. É como na velha história onde o rei aparece nu e ninguém tem coragem de dizer que o rei está nu. O projeto de reforma ou “revolução na Educação”, é um destes momentos que muitos assessores sabem estar havendo uma terrível distorção, mas ninguém parece ter coragem ou capacidade de apontar os erros que estão sendo cometidos.

Já escrevi em outro artigo que embora a cooptação de Thiago Peixoto para a base aliada foi uma grande jogada política, colocá-lo na educação foi um erro. Primeiro por que não é educador e as propostas praticadas, até agora, demonstra desconhecimento das necessidades da educação no nosso estado; segundo, por que Thiago não conhece a realidade da Educação Pública, e sendo assim, fica refém de consultores que muitas vezes também não conhecem a realidade educacional da escola pública. Soma-se a estas questões outras ainda mais complexas: a) uma revolução na educação não se faz por uma só voz; b) a questão da educação não é apenas política ou técnica, é social e cultural.

Também quero mudanças revolucionárias na Educação, mas tenho consciência de que isso não fará por uma só voz, pois se isso fosse possível, Cristovão Buarque, Leonel Brizola, Paulo Freire o teriam feito. O que Cristovam e Brizola fizeram como governadores se perderam, por que não se lembraram de que uma revolução no campo da educação tem de ser mais que técnica e política, é preciso ser social e cultural. De Paulo Freire, restou a teoria, a técnica e a política se perdeu. Thiago está em uma situação ainda pior por que primeiro não vejo ninguém no seu partido e mesmo no governo em condições de defender a revolução que ele prega; segundo, não sendo educador não tem as condições que Cristovam e Paulo Freire possuíam – o respeito da categoria dos trabalhadores em Educação.

É por acreditar que não é possível fazer uma revolução na Educação sem antes envolver uma grande parcela da população no processo que propus e foi aprovado no Congresso Nacional do PPS, que a educação tornou-se uma das prioridades do partido e que todos os prefeitos doravante eleitos pelo partido investirão não menos que 30% da receita em Educação, e que a Fundação Astrogildo Pereira buscará junto a sociedade e educadores construir uma proposta de política educacional que realmente atenda as necessidade do nosso país.

Outro erro do Governador Marconi e o Secretário Thiago Peixoto é não fazer uma reestruturação profunda no quadro do magistério, e erra mais ainda, quando ao fazer as mudanças, deixa no mínimo, passar a impressão de que está retirando direitos, e na prática, pelo que pude analisar do documento, está sim, retirando direitos já conquistados dos trabalhadores. Triste mesmo, no entanto, é ver o sindicato errar ainda mais, ao fazer uma defesa setorizada e não ter uma proposta concreta para melhorar a educação. Na verdade o sindicato erra por casuísmo, falta de representatividade, falta de estudos concretos da realidade da educação.

Antes de mais nada, é preciso ter claro a situação de nosso estado. Por mais que se tenha avançado somos um estado de analfabetos, e a formação aligeirada na Educação Superior introduziu na sala de aula professores que não são capazes de escrever um bom texto sobre assuntos corriqueiros do cotidiano, com uma bagagem cultural extremamente limitada, e que as vezes, tem dificuldade de compreender a própria matéria que ministra em sala de aula. Goiás tem hoje pouco mais de 10% de pessoas com curso superior, um número escasso de mestres e doutores, e destes pouco mais de 10% com curso superior, mais de 30% são analfabetos funcionais. A reforma neoliberal de Thiago Peixoto vai fracassar por que não levou tais dados em consideração.

Outro dado que impressiona é o grande número de professores que ministram disciplinas totalmente dispares da formação possuída. Não é difícil encontrar professor Licenciado em Geografia ministrando aulas de Química, matemática, e até de Inglês. E, isso acontece, por causa dos baixos salários, daí, por que a questão do piso nacional torna-se uma questão elementar, que deveria ter sido resolvida nos três primeiros meses de governo. Daí por que é preciso fazer uma reestruturação total na carreira do magistério, mas sem retirar direitos; a proposta apresentada não apenas retira direitos como me parece uma afronta às boas universidades do País. Afinal, como serão avaliados os títulos? A secretaria possui doutores e pós-doutores suficientes para fazê-lo em todas as áreas do conhecimento?

A reforma/revolução acontece fora da realidade. Não temos doutores e pós-doutores e não temos uma política salarial que resolva o problema atendendo profissionais de outros estados. A análise feita pelo professor Libâneo torna-se mais do que verdadeira pelos primeiros embates da reforma/revolução. É por esta razão que uma proposta de política educacional vai muito além do que Thiago/Marconi estão tentando fazer. E por acreditar neste Governo que defendemos que de fato seja mesmo feito uma revolução no campo da Educação em Goiás.

1º - É preciso reformular o plano de carreira. Esqueça o piso salarial nacional pois com este piso não se fará revolução na educação em lugar nenhum do mundo. Do ponto de vista da valorização do Educador tem de se pensar um salário, pelo menos em perspectiva de no mínimo cinco mil reais para professores em início de carreira para a carga horária de 40 horas semanais.

2º - É preciso integrar os três níveis de ensino. Educação Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior, para que o aluno seja capaz de chegar a Educação Superior com ampla cultura geral e iniciação a formação do espírito científico.

3º - Integrar a Educação Escolar a formação para a cidadania, integrando áreas de gestão como saúde, segurança, educação, trânsito, meio ambiente, dentre outras.

4º - Recuperar a formação cívica nas escolas. Modificar o processo avaliativo e criar mecanismos disciplinares e métodos de acompanhamento em tempo integral

5º - Criar escolas de pais com objetivo de prover educação para a cidadania para pais que vivem no limite da pobreza e não possuem condições de bem orientar os filhos.

6º - Despartidarizar a Educação. Introduzir verdadeiramente a meritocracia não como elemento de disputa e competição, mas como estímulo ao processo de auto-conhecimento.

7º - Investir na reestruturação da infra-estrutura da educação pública no estado. Não é possível fazer revolução na educação sem criar estrutura material, com escolas caindo aos pedaços e, em muitos casos, falta de área de lazer e bibliotecas.

8º - Introduzir uma política de Educação em Valores em todos os níveis de ensino. Valores humanistas que permita o aperfeiçoamento da democracia e a construção de uma sociedade sustentável.

9º - Criar junto a UEG um centro de estudos de pesquisa e acompanhamento do processo de avaliação possibilitando análise da realidade educacional do Estado.

10 – Organizar todos estes elementos em um plano emergencial de reforma da educação que possibilite ter escolas e cursos abertos, se necessário for, nas grandes cidades em três turnos para dar condições de atender todos aqueles que sentirem a necessidade de crescimento educacional.

Como membro da Executiva Estadual do PPS em Goiás, defendo que o Governo abra um canal mais eficiente de comunicação com a população, e principalmente que ouça os pesquisadores goianos, que trabalham e fazem pesquisa sobre a realidade Educacional Goiana para programar uma reforma que de fato resolva o problema da Educação. Defendo que o PPS seja ouvido pelo Governador antes mesmo de implementar as reformas já aprovadas na Assembléia Legislativa, uma vez que como parte da base aliada temos o dever de ajudar na construção do melhor governo possível da vida dos goianos. Ainda é tempo de fazer uma verdadeira reforma, com vontade política e conhecimento da situação.

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