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Saúde é prioridade no país! Emenda 29 - sai ou não sai?

Saúde é prioridade no país! Emenda 29 - sai ou não sai?
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Quarta, 31 Agosto 2011
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  • Bom pessoal, tirei isso do blog: http://migre.me/66h5R

    Eu e o SUS, o SUS e eu


    Muito antes do câncer, vem a dor de garganta. Quem não a teve? Antes da laringite adulta que pode indicar coisa pior, quase todo infante teve sua cota de faringite a implorar por atenção médica. O agora tão discutido – felizmente, embora por vias tortas – Sistema Único de Saúde ainda nem existia – sim, já houve tempos piores sem ele – quando fui atendido em uma unidade situada em suntuoso prédio na cidade de Campina Grande, grande Paraíba, para me ver livre do que os colegas da sexta série ginasial muito antes do aparecimento do CQC e de Rafinha Bastos, chamavam de “tosse de cachorro”.

    Os médicos do bisavô do SUS – esse instituto que, quando implantado, teve pelo menos a ambição de oferecer atendimento universal, um tabu da era privatista atual – receitaram um remédio que quase matou o paciente. Mas efetivamente curou a tosse, embora tenha me garantido um trauma pelos muitos e muitos anos subseqüentes. Na impossibilidade de cirurgia para remoção das amídalas – o sonho dourado da minha mãe que sempre foi chegada a um bisturi – devido à fila medida em anos-luz de distância, receitaram-me o martírio de 15 injeções de Bezetacil (ou seria Benzapen que, noves fora o “z” ou o “s” e os detalhes médicos, em termos de dor e trauma, dá no mesmo?). O tratamento era já então de tal maneira traumático para o paciente de 12 anos que o médico recomendou aplicação de 15 em 15 dias, em braços alternados – atenção para esses detalhes, sem os quais eu provavelmente teria sofrido gangrena nos ombros e não estaria aqui pra contar essa história.

    Era um tratamento desproporcional para a resistência física e à dor de um menino de tal idade. Mesmo com as injeções marcadas de 15 em 15 dias, aquele dia que ia me apavorando à medida que se aproximava no calendário e durante o qual, com toda certeza, aprontaria um escândalo ao ser arrastado por minha mãe para a farmácia. Mesmo sendo em braços alternados, e não havia outro jeito, porque além da incisão lacerante da aplicação havia a dor macilenta dos dias seguintes, quando o braço aplicado inchava como se houvera sido mordido por marimbondo caboclo. Pra efeito de informação, sei que hoje não se aplica essa injeção a não ser nas nádegas, mesmo em adultos – eu mesmo tive que relembrar o martírio há pouco tempo, felizmente em dose única. O fato é que sobrevivi, caso contrário não estaria aqui contando a história – detalhe: depois de 11 injeções, o tratamento foi dado por encerrado. Deveria odiar o SUS, pois não? Nem que fosse por um tipo de ódio que mistura aversão política com fracassos pessoais em nada relacionados com os tentáculos do poder público, como tem se tornado tão comum hoje em dia. .

    Toda criança daqueles distantes anos 70 que de alguma maneira se arrumaram na vida adulta acabaram, naturalmente, nos braços de um plano de saúde privado no final do milênio e pelo novo século em curso. Como as coisas práticas da vida, é o tipo do processo que acontece quase sem que se perceba. Não lembro de ter contratado jamais um plano desses – embora não queira ter aqui a hipocrisia de afirmar que não o desejaria caso não tivesse um. Ocorre que no pacote profissional de cada emprego ele sempre veio como salário indireto, o que me livrou das horas de espera perdidas nos prontos-socorros públicos que, nós, classe média assentada ou ascendentes a essa condição tão bem conhecemos felizmente só por ouvir falar.

    Mas a experiência prática não esgota nada, a não ser para quem tem a arrogância pequena de se contentar com a explicação mais fácil, rápida e aparentemente indolor – ou seja, infelizmente, para grande parte das pessoas (e o twitter está aí para provar isso na timeline de qualquer usuário). Para quem luta pra fugir desse grupo, há mais informações, circunstâncias, ponderações e curiosidades do que supõe o mero desabafo em 140 caracteres. Tenho colegas dos tempos universitários que fizeram da construção do SUS suas vidas – os mesmos que hoje fazem da tentativa possível de melhoria do sistema o motivo imediato de saírem de casa todos os dias. Com Guia Bezerra, conterrânea que não sabe quem é Arnaldo Antunes (chega a ser engraçado, mas a graça aqui é outra) de tão enfurnada que vive no mundo do serviço social associado ao atendimento de quem só tem o SUS para se socorrer ali na região de Canguaretama (RN) e adjacências.

    É por meio desses colegas e da informação geral que circula por aí se você não restringir seu mundo intelectual à leitura distraída da “Veja” que qualquer um pode ficar sabendo que há áreas específicas em que o SUS é, sim, fera. Se o sistema é falho no atendimento geral e imediato do tipo virose tropical de verão – um papel que a rede privada, na falta de concorrência pública, vem assumindo, diga-se que já com certa negligência diante do consumidor adoentado – é sabido que ele tem sido também de excelência em áreas especializadas pelos quais os convênios particulares não se interessam, por questão de escala, em assumir. Convém lembrar que, antes do qualquer coisa, o setor privado de saúde é um ator econômico movido pelas variáveis próprias dessa condição.

    Claro que há as questões gritantes na rede pública, como o salário médio de um médico em torno dos R$ 1.600 – um valor obviamente ridículo, injusto e desproporcional. Mas qual foi o médico que não adestrou na precariedade do SUS suas ferramentas de diagnóstico, seu estágio inicial, seu contato com o mundo real de vírus e bactérias que dizimam populações sem recursos antes de fugir para o ar rarefeito das clínicas e hospitais especializados que às vezes lembram mais hotéis do que unidades de saúde, inclusive no preço cobrado e na renda embutida no que deles extraem os grandes convênios particulares? O questionamento feito por meio do twitter sobre o ex-presidente Lula ter ido se tratar num grande e caro hospital e não numa unidade do SUS – que ele, numa evidente bravata de quem está por cima e respira bajulação por todos os lados, dissera ser “quase perfeito” – tem sua legitimidade. Mas me refiro aqui ao questionamento em si, isolando dele, como num procedimento laboratorial que nem todo mundo faz, deseja ou se importa em fazer, o víeis de preconceito social embutido na, vá lá, denúncia. Lula é questionado pelo que disse e deve estar sujeito a isso como qualquer um de nós, simpatizantes ou não de sua figura. O riso de escárnio está fora desse padrão – aí já estaremos no terreno aberto do apedrejamento movido por outros condicionantes.


    groups.wall há 195 dias
  • Para o PPS, aprovação da Emenda 29 mostra que governo mentia sobre falta de recursos para a saúde http://portal.pps.org.br/portal/showData/213302
    groups.wall há 242 dias

Há mais de 3 anos tento cobrir no Congresso a regulamentação da Emenda Constitucional 29. A mesma, está em tramitação no Congresso há quase 13 anos. A proposta visa destinar mais recursos para a Saúde - que não é novidade está precisando muito. Então porque não sai?



Todos são a favor de mais recursos na Saúde, não são? O que entrava a votação é o último destaque da Emenda: com ou sem a nova CPMF. Defendo que a Saúde é direito do povo e dever do Estado, não acho justo a implementação de mais um imposto, mesmo porquê todos sabem o rumo que a CPMF tomou.



Agora, mais uma vez deputados estão pressionando a votação. Presidente da Câmara já anunciou que a data está marcada para o dia 28 de setembro, mas Dilma já avisou para segurar..."não quer um presente de grego!". Na indecisão, o povo continua sofrendo nas filas dos hospitais, sem medicamentos e sem assistência digna e adequada!

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Quando lemos a matéria: "Balança comercial de agosto registra superávit de US$ 3,873 bilhões" (fonte: http://br.msn.com) indagamos que o país demonstra que está crescendo de vento em popa, isto significa que estamos bem, que não existe crise e que temos dinheiro sobrando e mesmo com o dinheiro distribuído pelos bolsos que mamam nas tetas da população por muitas décadas, ainda vai sobrar para investir no que for exigência e direito, como é o caso da saúde, não precisando mais onerar os cidadãos para garantir a corrupção e o salário extra. Sobra para pagar e calar e ainda sobra para as devidas obrigações, então, nossa, sobra muito dinheiro e se tal não fosse desviado, seríamos uma nação de primeira. O debate é coerente, ainda mais quando se fala em gestão, na ausência de gestão pública, de forças políticas comprometidas com a mudança, que é mais do que necessária. Países com décadas de opressão, sem direito ao livre pensamento, aos seus direitos universais, sofrendo todos os tipos de abusos por seus governantes, como é o caso da Líbia e tantos outros, estão na rua para exigir um país livre, porque estão cansados dos desmandos, das falcatruas, dos assassinatos em massa, ou seja, de toda esta ditadura e desgoverno, então por que nós, que supostamente vivemos em sentido contrário destes, não podemos ter um pouquinho de sangue de luta nas veias e partir para a batalha e exigir que o país seja moralizado em sua ética, que os partidos tomem uma posição em defesa do cidadão e do bem comum do país, ao invés de sempre tentarem arrumar uma oportunidade para nada mudar e tudo continuar como dantes. É hora de escolher qual caminho se quer trilhar, não dá mais para ficar em cima do muro, é chegada à hora de optar e isto acontece em todo o mundo, o mundo está em transformação e toda transformação exige mudanças drásticas, bem posicionadas e preços bem altos de acordo com sua conduta. A democracia exige posicionamento, porque é sinônimo da liberdade e do respeito e seu preço é alto demais, resta saber se temos cacife para pagá-la. Agora é a hora! Como dizia Vandré!
Última resposta por Mônica Bragança às Quinta, 01 Setembro 2011