Sindicato bom é sindicato sem imposto!
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Os sindicatos e o Estado
Por : Luiz Werneck Vianna
Os sindicatos estão retornando às páginas políticas, e, por várias razões, não há nada de imprevisto nisso. A primeira delas é a de que eles sempre fizeram parte, em lugar estratégico, da construção da moderna ordem capitalista brasileira, não apenas como base passiva do seu desenvolvimento, mas como protagonistas de momentos determinantes da sua história.
Não se pode contar os episódios da montagem da indústria de base sem a participação política dos sindicatos, muito
particularmente nas lutas pela criação das indústrias da siderurgia e do petróleo. E, mais recentemente, narrar a conquista da democracia política, consagrada pela Carta de 1988, sem se deter na história dos metalúrgicos do ABC e do sindicalismo da época. -
Os sindicatos e a política, por Luiz Werneck Vianna
Os primeiros cem dias consistem na marca cabalística a partir dos quais a imprensa sonda os sinais premonitórios a anunciar o caráter de governos novos. No caso que se apresenta diante de nós talvez um tempo mais curto possa bastar porque, nestes últimos dias de janeiro com essa controvérsia sobre o valor do salário-mínimo, já se sabe que algo mudou no estilo e na forma das relações do governo com os sindicatos na passagem de bastão de Lula a Dilma.
A própria retórica encrespada de que fazem uso importantes dirigentes sindicais em defesa de suas posições indica que as tensões contidas nessa matéria não são triviais. Anote-se que a pesada qualificação embora tenha sido o de Lula que, em seus últimos dias, condenou ao veto qualquer aumento acima do teto de R$ 540. Aí, talvez, uma pista
para elucidar um novo estado de coisas no sindicalismo.
O imposto sindical, um bolo tributário de quase R$ 2 bilhões formado por um dia de trabalho por ano de toda pessoa que tem carteira assinada, alimenta um território sem lei. Os 9.046 sindicatos que dividem esse dinheiro não são fiscalizados. Então podemos dizer que abrir uma entidade social virou um bom negocio e bem lucrativo, melhor então termos um sindicato sem impostos ou continuar com esses "sindicatos", que só geram lucros?
Só as seis maiores centrais sindicais receberam R$ 102,2 milhões – valor sem destino definido, já que, conforme prevê a lei, as entidades não precisam prestar contas ou aplicar os recursos para finalidades específicas. Em todo o país, a contribuição também foi repassada para 9.507 sindicatos laborais – 750 no Paraná.