Revista Política Democrática Nº 9
Política Democrática prossegue, nesta nona edição, no progra¬ma que seu Conselho Editorial definiu para o ano de 2004: dedicar, a cada novo número, espaço para a discussão a respeito dos rumos do governo da coalizão liderada pelo Partido dos Trabalhadores e rememorar, de modo reflexivo e crítico, a experiência do Golpe Militar de 1964.
Debatemos, desta vez, a situação da educação e de suas políticas sob o governo Luis Inácio Lula da Silva. Luís Carlos de Menezes detém-se na demanda por um novo ensino médio, capaz de dar resposta às necessidades de um público de novo tipo, que uma sociedade em processo de mudança continuado produz.
Na agenda da educação hoje, a reforma da universidade encon¬tra-se no primeiro plano. Três de nossos artigos abordam essa ques¬tão, a partir de perspectivas um pouco diferenciadas. Rodrigo Dantas produz uma defesa da universidade pública que recusa, a título de privatista, toda interação da universidade com o mercado e até com a sociedade. O texto vale pela argumentação clara e conseqüente em defesa dessa posição. Luís Werneck Vianna levanta a questão das tarefas presentes da universidade, numa perspectiva mais geral de seu aporte possível para a continuidade do processo de cons¬trução e afirmação de uma cultura e civilização brasileiras. Marco Aurélio Nogueira, por sua vez, enfoca a crise das suas últimas déca¬das da universidade pública, identifica as ameaças que sobre ela pesam e aponta caminhos necessários a sua superação.
Infelizmente, os artigos não avançam, nem seria possível fazê-lo nos seus limites, no sentido de traduzir essas diretrizes e princípios na linguagem das propostas operacionais hoje em disputa, a respeito de autonomia, diálogo com a sociedade, pactuação de resultados e reconquista de legitimidade junto ao cidadão. Nossa intenção é dar continuidade a esse debate nos próximos números.
- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira
- Ano de Edição: Agosto de 2004
- 199 páginas
- ISSN 1518-7476
Revista Política Democrática Nº 7
Um ano é passado desde a posse de Lula na Presidência da República. Naquele momento, dedicamos boa parte da nossa quarta edição à discussão sobre o governo que se iniciava e seu significado para os rumos da esquerda no mundo. Nas edições quinta (maio de 2003) e sexta (setembro do mesmo ano), tratarmos, na seção Conjuntura, de dois aspectos importantes da nova administração federal: o político e o desafio do desenvolvimento.
Hoje, para compor o presente número, PoLítica Democrática convidou um conjunto de estudiosos a se manifestarem sobre o que parece ser, a depender da perspectiva, a grande questão, a incógnita ou a decepção mais dura do governo encabeçado pelo PT: a questão social. Desde a campanha eleitoral, em torno desse tema criou-se uma expectativa de mudança profunda. Tudo seria diferente e as novas políticas para essa área deslanchariam o processo mudancista que daria início à superação da miséria, ao início da inclusão social, ao avanço na eqüidade.
Afinal, como bem observa Jessé Souza no artigo aqui publicado, ao contrário do que se preconizava nos anos sessenta, o crescimento econômico em si não trouxe garantia nenhuma de inclusão é eqüidade. O Brasil foi campeão de crescimento durante a maior parte do século XX e continua a manter um terço da população em situação de pobreza e exclusão.
Maria Hermínia Tavares de Almeida, por sua vez, nota que, a partir dos anos setenta, a esperança da superação da pobreza deslocou-se para a questão democrática. As políticas econômicas e sociais do regime autoritário produziam exclusão. Com a democracia, novas políticas, de interesse da maioria da população, poderiam ser acolhidas pelo aparelho de Estado e implementadas.
- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira
- Ano de Edição: Outubro de 2003 - Janeiro de 2004
- 199 páginas
- ISSN 1518-7476
Revista Política Democrática Nº 6
Política Democrática chega a seu sexto número e nós, editores, mantemos a convicção de que estamos a executar o programa que anunciamos no momento da criação da revista: promover debate aberto sobre temas políticos, econômicos e culturais, selecionados a partir de sua relevância para uma perspectiva de esquerda moderna, preocupada com desenvolvimento, eqüidade e democracia.
Neste número, enfocamos o debate que se vem tornando crucial para a avaliação do Governo Lula. Definidos o rumo reformista do governo e sua base de sustentação parlamentar, a discussão se volta para a condução da política econômica. Como avaliar a continuidade em relação ao governo anterior? Imposição da situação critica que O país vivia no momento da posse ou capitulação perante o sistema de poder internacional? Qual o significado da prioridade ao cumprimento de metas de inflação e do inegável sucesso obtido nessa perspectiva? Quais as prioridades alternativas que deveriam ser contempladas pelo governo?
Esses foram as questões para as quais a editoria procurou selecionar um conjunto de respostas diferenciadas, que agora apresentamos ao leitor e que constituem a seção inicial, Conjuntura, centrada no tema Governo Lula: O desafio do desenvolvimento. Um dos ensaios mais densos é o de autoria dos economistas Luiz Gonzaga Beluzzo e Ricardo Carneiro, ambos do Instituto de Economia da Unicamp, e referências obrigatórias sobre a análise da realidade econômico-financeira do país e suas perspectivas. Denunciando as condições adversas da integração do Brasil à mundialização do processo de relações econômicas entre os países, os dois autores apresentam um quadro real e pouco animador das possibilidades de o país retomar o caminho do crescimento, caso se mantenha em vigência o atual modelo macroeconômico.
- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira
- Ano de Edição: Junho - Setembro de 2003
- 199 páginas
- ISSN 1516-6961
Revista Política Democrática Nº 5
A eleição e posse do governo Lula geraram um amplo leque de expectativas na sociedade brasileira. Num extremo a esperança messiânica de alguns setores que antecipavam uma virada radical, que poria no horizonte do curto prazo a solução de nossos problemas seculares. No outro, a dúvida sistemática sobre a capacidade do governo de lidar com problemas complexos que a cada dia exigem soluções competentes, sob pena de crise. Na verdade os extremistas apostavam na definição breve do cenário a partir de suas premissas: salvação ou danação do país. O governo decepcionou a ambos. Não enveredou pelo rumo anunciado nas campanhas de 1989 e 1994 e ganhou a oposição dos chamados "radicais". Não permaneceu passivo diante do agravamento da crise e tirou as bandeiras daqueles que pretendiam fazer uma oposição fácil: assistir a transformação rápida de uma crise econômica em crise de governabilidade.
À medida que se verificava que o projeto no governo era mais complexo que as expectativas mais rasas de alguns apoiadores e opositores, as avaliações desse projeto se multiplicaram e o debate , entre elas ganhou intensidade. Nossa revista dá, no presente número, sua contribuição à discussão. Apresentamos ao leitor um conjunto de análises de qualidade, originadas em diferentes posições do espectro político-partidário. Cada artigo avalia os meses de governo, apresenta seus aspetos positivos, quando os encontra, e argumenta, com mais ênfase e paixão, a partir de seus equívocos presumidos. Penso que a seleção feita representa bem as principais posiçôes em jogo e, dessa forma, revela um panorama amplo dos argumentos em disputa.
Que nos mostra esse panorama? Em primeiro lugar, um grupo de argumentos críticos ao governo, ligados a sua base histórica de apoio. Para seus articuladores, Lula teria abandonado as teses fundadoras do partido e, simplesmente, capitulado diante dos setores financeiros nacionais e internacionais. A condução da economia e o projeto de reformas demonstrariam a mera continuidade e relação do partido para o campo da defesa de interesses plutocráticos.
- Editoração: Fundaçaõ Astrojildo Pereira
- Ano de Edição: Novembro de 2002 - Maio de 2003
- 199 páginas
- ISSN 1516-6961